A abertura do modelo de negócios como caminho - Open Innovation
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A abertura do modelo de negócios como caminho – Open Innovation

ARTIGO DE OPINIÃO

Por: João Eduardo Tourinho / Startup Hunter da Liga Ventures

Ao longo dos últimos anos muito tem se falado de Open Innovation, ou em bom português, Inovação Aberta. O conceito, cunhado pelo professor Henry Chesbrough em seu livro Open Innovation - A new Imperative for Creating and Profiting from Technology, tem ganhado cada vez mais relevância no mundo corporativo.  

Em proporções globais, empresas de diversas indústrias e segmentos com intuito de se atualizar e não se tornarem obsoletas vêm adotando essa que pode ser considerada uma nova estratégia em relação à gestão da inovação. A transformação digital se impera, e fantasmas como a Kodak e Blockbuster são exemplos de assombros indesejados. 

Sob esse novo prisma, empresas têm revolucionado sua atuação na busca de inovar seus produtos/serviços e até mesmo seus modelos de negócios. Departamentos e laboratórios de P&D pantagruélicos e fechados ao mundo externo parecem ser hoje uma peça de ficção. Dinâmicas de mercado, nas quais o conhecimento é descentralizado, o capital pulverizado e o avanço tecnológico ocorrem em ciclos cada vez mais curtos, tornam a inovação aberta imperativa à própria sobrevivência das empresas. Vale ressaltar que essa lógica não extingue os investimentos em P&D; pelo contrário, eles passam a ser mais efetivos e estratégicos. 

Para fins de melhor compreensão, vale ressaltar que a inovação aberta, entre outras classificações,  pode ser dividido em duas vertentes de atuação: (i) de fora para dentro; (ii) de dentro para fora. A primeira, mais popular nas empresas, consiste em utilizar recursos externos para tornar mais rápidos e menos custosos os processos internos de inovação, isso ocorre por meio do engajamento com startups, universidades, iniciativas de crowdsourcing, entre outros. Já a segunda é colocada em prática quando as empresas lucram ao utilizar recursos internos para gerar valor externamente, como é o caso de criação de spin offs e licenciamento de tecnologias.

Apesar da ampla difusão da Inovação Aberta juntamente com seus fundamentos e aplicações, um conceito ainda pouco explorado é o de Modelo de Negócios Abertos. Gestores precisam entender que é pouco efetivo possuir um funil de inovação poroso, aberto ao intercâmbio de fluxos entre fontes internas e externas, se o modelo de negócios não está preparado para lucrar com as novas fronteiras que se abrem. Caso isso não ocorra, as iniciativas de inovação aberta serão sempre pontuais e isoladas, o que faz com que a probabilidade de representarem um motor de digitalização nas empresas seja desperdiçado.

Momentos de crise, nos quais muitas empresas precisam se reinventar para a própria manutenção dos negócios, são frutíferos para o surgimento de grandes mudanças. Embora não seja a única opção, nem mesmo aplicável para todo e qualquer tipo de empreendimento, um modelo de negócios aberto pode vir a se tornar um grande ativo no enfrentamento da crise econômica atual. Características como diversificação de portfólio, teste de novos mercados e a própria inovação ágil e menos custosa são comuns a empresas que adotam essa abordagem.

Mas afinal, no que consiste um Modelo de Negócios Aberto? 

Antes de mais nada é bom ter em mente que um modelo de negócios envolve a lógica de criação, entrega e captura de valor por parte de uma organização. Partindo dessa definição, podemos estabelecer que a abertura do modelo de negócios visa a disposição de atores externos atuando nas diversas etapas que culminam na entrega de valor para os clientes. Esses atores, portanto, podem estar presentes em diferentes elos da cadeia de valor.

Para que isso seja concretizado e não fique apenas na retórica de LinkedIn, a empresa deve primeiramente definir quais formas de atuação fazem sentido para os objetivos almejados com inovação aberta. Uma vez que estamos tratando de um momento de crise, o horizonte do retorno das iniciativas implementadas é naturalmente um fator crítico.  Investimentos em hard science ou até mesmo a implementação de uma efetiva gestão de propriedade intelectual, por exemplo, prevêem retornos de médio a longo prazo. 

No contexto  atual, é necessário que diversas frentes possam ser abertas em paralelo, a partir da disposição da organização em atuar junto a atores externos, ou seja, uma abordagem de inovação aberta de fora para dentro. Nesse ambiente, o envolvimento com startups é um trunfo a ser usado.

Um dos motivos pelos quais a estratégia de abertura não resulta em uma explosão de novas oportunidades é justamente o mindset dominante nas empresas, fruto de uma cultura corporativa anacrônica. Políticas de remuneração, desenho de processos e a forma defensiva que as empresas enxergam outros atores do mercado são alguns aspectos que não permitem que as organizações estejam abertas às oportunidades que se encontram na inteligência gerada externamente.

Dentre esses pontos, aproveitando a aceleração da digitalização na economia, seja pelo isolamento social, seja pela competitividade do mercado, as empresas deveriam focar no que pode ter efeitos imediatos. Nesse caso, é necessário que seja facilitada a interação com empreendedores de startups por meio da abertura do modelo de negócios. Para que isso aconteça, o primeiro passo é pacificar  quais são as capacidades internas e externas a serem exploradas. 

Com os papéis bem definidos, o segundo passo é desenhar processos claros que garantam segurança, recorrência e incentivos no trabalho junto às startups. É essencial que cada vez que uma área ou colaborador busque esse engajamento, essa ação não seja considerada uma inovação processual. Parâmetros e critérios para esse tipo de atuação devem estar nos processos operacionais das organizações. Em outra vertente, as áreas das empresas devem ter fluxos bem definidos de como podem alinhar suas ideias e projetos internos à parceria com essas empresas inovadoras.

Isso abrirá possibilidade para que as empresas possam reagir, ao se reinventar, nesse momento de crise. Expansões estratégicas de mercado, cocriação de produtos, teste de canais digitais, entre outras iniciativas, poderão ser colocadas em prática de maneira simultânea, resultando em ganhos de aprendizado validado, produtividade e time to market. Neste sentido, é importante que as organizações tracem planos para institucionalizar processos que tornem natural a abertura de seus modelos de negócios.

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Com uma rede que já conta com mais de 90 parceiros, o Follow-on é uma iniciativa organizada pela Liga Ventures que tem como objetivo reforçar a crença no ambiente empreendedor e de inovação do Brasil diante do cenário atual. O Follow-on quer contribuir para a discussão de uma Agenda Positiva de retomada, pautando as ações de inovação com startups como algo fundamental também em momentos de crise. A nossa rede está organizando uma série de apresentações de pitches de startups, conteúdos especiais, painéis com especialistas, cases estruturados, artigos de opinião, entre outros formatos para que possamos fundamentar ainda mais nossas decisões para uma Agenda Positiva de retomada.

Sobre a Liga Ventures:

Criada em 2015, a Liga Ventures é uma das maiores aceleradoras de startups do país e pioneira no mercado de aceleração corporativa e corporate venture, com parceiros como Porto Seguro, GPA, Banco do Brasil, Brink's, Embraer, Mercedes-Benz, TIVIT, Saint-Gobain, Unilever, Vedacit, Souza Cruz, Suvinil, Bauducco, Ferrero, Colgate-Palmolive, Unimed FESP e Sodexo. A Liga também já acelerou mais de 200 startups nos ciclos de aceleração e criou mais de 25 estudos inéditos por meio do projeto Liga Insights, apontando startups que estão inovando nos setores de AutoTech, Retail, Tecnologias Emergentes, HR Techs, Health Techs, IT, Real Estate, Food Techs, MarTechs, AgroTechs, EdTechs, entre outros.

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