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Entrevista com: Gabriel Chalita

Responsável pela Cátedra de Filosofia e Educação no Ibmec-SP

Gabriel Chalita, responsável pela Cátedra de Filosofia e Educação no Ibmec-SP, foi um dos profissionais entrevistados para o estudo Liga Insights Health Techs, lançado em maio de 2018. Durante a entrevista, Chalita comentou sobre as oportunidades de inovação no campo da saúde e os principais desafios e dificuldades quando se fala sobre o setor público, em um cenário aberto para a atuação de tecnologias e Health Techs.

O estudo completo está disponível para download neste link.

O Ibmec é um dos maiores centros de educação do Brasil e que conta com cursos de graduação e pós-graduação principalmente na área de Negócios. 

Gabriel Chalita é Doutor em Filosofia do Direito e em Comunicação e Semiótica. Aos 19 anos, começou sua carreira política como vereador e presidente da Câmara Municipal de Cachoeira Paulista. Foi presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) por dois mandatos.

Foi vereador, Secretário Municipal e Estadual  pela cidade de São Paulo e deputado federal pelo PMDB-SP. É professor universitário, palestrante e membro da Academia Brasileira de Educação e da Academia Paulista de Letras.

Confira a seguir a entrevista na íntegra:

Liga Insights (LI) - Podemos pautar o tema saúde como um dos mais oportunos para inovações?

Gabriel Chalita (GC) - Qualquer pesquisa que você faça no Brasil, sobre o que a população espera do país e de seus governantes, a maior demanda sempre será a saúde. Em época de eleições municipais, estaduais ou nacionais, quando se pergunta qual o maior problema do povo brasileiro, antes de educação, de segurança e de trabalho, aparece a saúde. Se essa é a maior necessidade da população, está aí uma grande oportunidade de desenvolvimento.

LI - Qual a principal dificuldade ou desafio que as tecnologias enfrentam no setor público?

GC - O Brasil fez uma opção por um sistema universal de saúde, que é revolucionário, mas gera uma complexidade imensa, que é atender toda a população. Esse é um elemento democrático e correto, de uma política social absolutamente clara, mas é profundamente complexo. Na minha visão, a questão tecnológica pode ajudar a romper uma série de barreiras que são muito intrincadas hoje. Se conseguíssemos digitalizar os exames, por exemplo, e ter um acesso tecnológico, facilitaria muito a vida dos médicos e dos pacientes.

Na área pública, poucas cidades no Brasil conseguiram desenvolver isso. Um investimento nessa área facilitaria o resultado final. O Brasil é um dos países mais sofisticados em termos de tecnologias, como robótica e inteligência artificial, sendo usadas em nossos hospitais, como o Hospital Israelita Albert Einstein e o Oswaldo Cruz. Mesmo entre os hospitais públicos, a Santa Casa, por exemplo, tem uma qualidade internacional. As tecnologias poderiam ajudar muito na distribuição de remédios e no mapeamento de pacientes. Por que não podemos ter isso na área pública?

LI - Qual desafio você enxerga para um planejamento de ações de saúde?

GC - Quando prometemos a toda população um Sistema Único de Saúde (SUS), temos um fator complicador, pois o planejamento estrutural se torna mais dificultoso. Falta visão de gestão nos governantes em termos de continuidade de políticas públicas. Cada governo que chega quer deixar uma marca. Na área pública, quem chega quer revolucionar. Isso dificulta uma gestão mais eficiente, com resultados, sabendo que não tem milagre. Tem um governo que dá certo, aí vem o outro e interrompe. Saúde deveria se preocupar com saúde; hoje, ela se preocupa com doença. Não tem o aspecto preventivo que deveria ter.

LI - Como você vê as startups que atuam para trazer a eficiência nos processos de saúde?

GC - Eu vejo com bons olhos na parte tecnológica. Mas, se você transforma isso em uma busca de resultados quantitativos sem qualidade, não resolve. A história do prontuário eletrônico é tão importante, pois a qualquer médico que o paciente vá, o prontuário o acompanha. E isso é desafiador! Outro exemplo é o surgimento de muitos planos de saúde e clínicas populares. Precisamos ver o que está dando certo, replicar e criar políticas para a continuidade.

LI - Existem oportunidades para isso?

GC - Eu acho que é o momento para isso. Porque é quando a população quer. As pessoas olham para qualquer inovação na área da saúde com bons olhos, pois quer resolutividade. Existem oportunidades em atendimento, medicamentos, assistência etc. Há oportunidades de negócios tanto para a área pública quanto privada.

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