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Entrevista com: Fernando Silva

Head de Venture Capital na Bozano Investimentos

Fernando Wagner da Silva, Head de Venture Capital na Bozano Investimentos, foi um dos profissionais entrevistados para o estudo Liga Insights Health Techs, lançado em maio de 2018. Durante a entrevista, Silva comentou sobre as oportunidades para as startups de hard sciences em relação a investimentos, as expectativas sobre esse tipo de negócio e os principais desafios para maiores investimentos dentro do cenário.

O estudo completo está disponível para download neste link.

A Bozano Investimentos é uma gestora de recursos em fundos de investimentos tradicionais e private equity.

Fernando Wagner da Silva bacharel em Matemática pela UFRJ e mestre em Engenharia da Computação pela mesma universidade

Mentor na Founder Institute, é membro do conselho consultivo em diversas startups (Altave, Bling ERP, Paggcerto, Konduto e outras). Está na Bozano Investimentos desde 2013.

Confira a seguir a entrevista na íntegra:

Liga Insights (LI) - Quais são as principais oportunidades existentes na área da saúde em que as startups de hard science podem atuar?

Fernando Silva (FS) - O setor de saúde como um todo foi um dos últimos a serem impactados pelo tsunami tecnológico que vem transformando setores como Finanças, Educação, Transportes, entre outros. Felizmente, esse momento chegou para a área de saúde. É possível dividir as Health Techs em dois grandes grupos.

No primeiro, estão as startups focadas na otimização do processo de atendimento ao paciente. As recém-criadas clínicas populares são exemplos desse tipo de empresa. Essas startups não são consideradas exatamente hard sciences. Porém,por trás de seus produtos existem tecnologias relevantes como telemedicina, inteligência artificial e big data.

O segundo grupo de startups é focado em tecnologias que impactam diretamente tratamentos e novas aplicações, seja por meio de devices médicos inovadores ou novos compostos medicinais. Neste grupo encontram-se as startups mais hard sciences que, em geral, possuem corpo técnico muito focado em atividades de P&D e interface com instituições de pesquisa de ponta.

Estes dois grupos de startups exploram novas oportunidades de modelos de negócio - sejam elas B2C ou B2B – e vêm transformando a indústria como um todo.

LI - Por que investir em negócios deste perfil?

FS - As health techs têm proporcionado um nível de personalização da medicina como nunca antes se viu na história do setor. Seja por meio de atendimentos mais ágeis e precisos, ou pela criação de novos compostos medicinais feitos sob medida pelo paciente. A revolução causada pelas startups de saúde é um caminho sem volta que transformará para sempre a relação entre empresas, médicos e pacientes.

LI - O que vocês esperam dos negócios que estão inovando nesta área?

FS - Sob o ponto de vista de investimento, entendemos que as startups de saúde têm grande potencial de retorno. Como em todo setor impactado pela tecnologia, as empresas que fazem parte do establishment tendem a adquirir as novas entrantes, a múltiplos bastante atraentes. As tradicionais gigantes do setor de saúde estão se movimentando e já começaram a adquirir startups do setor.

LI - Quais são os principais desafios a se superar para vermos mais investimentos e negócios nascendo nesse segmento no Brasil?

FS - Principalmente por lidar com vidas humanas, o setor de saúde é extremamente conservador e resistente à adoção de novas tecnologias. Entendemos que a revolução tecnológica no setor passa por um processo que se inicia desde a formação dos profissionais de saúde, com cursos de medicina que já incluam em suas ementas elementos como medicina robótica, nanotecnologia e outros.Os hospitais também precisam se preparar para essa revolução tecnológica, modernizando seu parque de equipamentos e oferecendo cursos de capacitação para seus profissionais.

Por fim, é importante que haja uma aproximação maior entre as startups e as academias e centros de pesquisa, incluindo uma abordagem diferenciada no que diz respeito ao tratamento de propriedade intelectual desenvolvida em conjunto pela empresa e universidade. Muitos potenciais negócios são inviabilizados pela falta de flexibilidade das universidades no compartilhamento de propriedade intelectual.

Saiba o que os profissionais de grandes empresas e especialistas estão falando sobre o tema em entrevistas completas aqui

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