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Operadores e servidores da saúde: o uso de tecnologia em hospitais

Como as startups podem simplificar a relação médico-paciente e otimizar processos

Caminhando por mais um elo da cadeia, vamos discutir neste post as possibilidades de inovações e tecnologias envolvendo os novos e os já existentes processos inerentes ao elo de operadores e servidores de saúde. Os desafios dos demais atores da cadeia refletem também a necessidade de inovação neste elo, representado aqui pelos hospitais. A dificuldade enfrentada pelas operadoras de plano de saúde por conta da diminuição no número de beneficiários, como falado no post sobre intermediadores, também vem atingindo os hospitais. Segundo a Anahp (Associação Nacional dos Hospitais Privados), apesar de a receita média por internação em 2017 ter atingido o valor de R$ 21,5 mil, 7,3% a mais do que no ano anterior, as despesas administrativas e médicas cresceram 8,1%, passando a ser R$ 18,7 mil.

Desenvolvimento de novos negócios

Os hospitais passaram a ter o desafio de estudar novas maneiras para reverter a situação, sobretudo pelos convênios de saúde serem a principal fonte pagadora deles. De acordo com a Anahp, em 2014, os convênios eram responsáveis por 90.8% da receita. A busca por eficiência e inovações fez com que os hospitais vissem as tecnologias também como oportunidades de levarem seus negócios a outro patamar, além de fomentar o desenvolvimento do setor.

Foi assim que nasceu a iniciativa Eretez.bio, lançada pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Criada em 2017, a incubadora apoia startups dando acesso aos Laboratórios de Pesquisa e Inovação. Assim, conecta-se a mais de 20 startups em diversos assuntos do tema.Também acompanhando a linha de inovação aberta, o Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) iniciou o desenvolvimento do Open D’Or Healthcare Innovation Hub.

Sua estrutura prevê um laboratório de simulação do ambiente hospitalar, que permite o desenvolvimento e a realização de testes e integração das soluções desenvolvidas pelas startups com os sistemas e equipamentos utilizados pela Rede D’Or São Luiz. “Sabemos que há um processo de transformação cultural e de comunicação do grupo com essas inovações que existem no mercado. Queremos que haja mais compartilhamento de inovações na área de saúde”, afirma Gabriela de Salles van der Linden, Fundraising and Investor Relations no IDOR.

A versatilidade da IA no setor da saúde

A inteligência artificial, que está se tornando cada vez mais sofisticada, é apontada como tendência de inovação para a área de saúde, principalmente por poder ser aplicada de diferentes maneiras com objetivos totalmente diversos. De acordo com o relatório Digital Health Technology Vision 2017, realizado pela Accenture em todo o mundo, 72% das organizações de saúde já utilizam inteligência artificial em seus assistentes virtuais. Além disso, 84% dos profissionais da área de saúde entrevistados acreditam que IA poderá revolucionar a maneira que eles obtêm informações e a maneira como irão interagir com seus pacientes.

Arte com informações sobre a utilização de inteligência artificial em organizações de saúde.

Fundada em 2015, a CUCO Health é uma startup brasileira que possui em seu portfólio uma solução chamada Enfermeira Digital. A tecnologia se utiliza de inteligência artificial das APIs cognitivas do IBM Watson; por meio dela, beneficiários de operadoras ou hospitais clientes da CUCO têm à disposição uma interface que pode instruir o paciente e esclarecer possíveis dúvidas que surjam ao longo do tratamento. Segundo a CUCO, “esta interação evita que o paciente faça pesquisas em fontes que não sejam seguras, encontrando informações falsas sobre como realizar o tratamento da maneira correta”.

A CUCO Health também trabalha a questão de monitoramento remoto de pacientes, fazendo o acompanhamento da adesão medicamentosa. A plataforma acompanha o histórico do tratamento de pacientes e envia mensagens com dicas e informações para ajudá-los a seguirem o tratamento de forma correta. O paciente também consegue cadastrar familiares, amigos, cuidadores e enfermeiros na funcionalidade “Cuidadores”, que envia notificações a eles quando um medicamentos for esquecido de tomar na hora certa.

A startup, em parceria com o Hospital do Coração (HCor), conseguiu aumentar o nível médio de adesão medicamentosa de pacientes, de 40%, para 79% em crianças cardiopatas. Lívia Cunha, CEO e cofundadora da startup, conta que a instituição tinha a preocupação de certificar que o pós operatório de pacientes infantis com cardiopatia congênita fosse cumprido rigorosamente. Após a implementação da CUCO, os pacientes passaram a ter alta no hospital e já logo ter acesso à plataforma, que servia como uma enfermeira que ia para casa com eles.

Com isso, pôde-se ter uma conexão direta entre o paciente, a rede gestora do hospital e a equipe de enfermeiras, que conseguiam acompanhar a evolução do paciente. A startup, que já captou R$ 1 milhão de investidor anjo, oferece um aplicativo gratuito para o paciente. Os responsáveis pelo pagamento da mensalidade são os planos de saúde, hospitais e laboratórios farmacêuticos, para quem fazem o projeto de monitoramento e relacionamento com o paciente. A CUCO Health estuda implementar o modelo B2C.

Soluções como a da CUCO, que se propõem a aumentar a adesão medicamentosa, impactam não só os pacientes e os profissionais da área, mas também outras instituições, como as farmácias. Luiz Felipe Bay, Diretor de Vendas Corporativas da Univers (PBM da Raiadrogasil), afirma que, do ponto de vista do varejo, oportunidades de inovação e as startups envolvidas nos processos de atendimento nas lojas são interessantes, especialmente se estudarem e considerarem as necessidades reais de melhoria no dia a dia das drogarias.

As melhores oportunidades são aquelas que simplificam nossa operação de atendimento e que utilizam a informação a favor de um atendimento de qualidade, sem excesso de opções e nem etapas desnecessárias ou que descaracterizem nossa cultura de atendimento. As inovações são extremamente promissoras e potencialmente transformadoras, principalmente em relação a tudo passar a ter muito mais velocidade, e também por conta da ampliação do uso inteligente de informações entre a área e o varejo farmacêutico. É de extrema importância que as startups conheçam as operações do dia a dia. Ao mesmo tempo, há o desafio de unir cultura e identidade de inovação", comenta Bay

Além disso, afirma que é preciso ter uma estrutura de capacitação e de treinamento adequadas quando se pensa em uma empresa do tamanho da Raiadrogasil, presente em 20 estados, com mais de 1.650 lojas e 32 mil funcionários. De acordo com ele, a aderência às novas tecnologias não ocorre se não houver um ambiente preparado e com pessoas envolvidas nas mudanças.

Veja o que Sérgio Bergmann, CIO do Qual Farmácia, fala sobre o tema

Nunca houve um tempo mais desafiante para os varejistas do que agora. Sobreviverão aqueles que reagirem e fizerem a transição para a era digital de forma rápida e efetiva. Esta reflexão foi o ponto de partida do Qual Farmácia. Desenvolvemos uma plataforma de vendas online capaz de levar milhares de consumidores para as lojas físicas, alavancando o faturamento das farmácias ao mesmo tempo em que ajudamos os consumidores a encontrar e comprar produtos farmacêuticos com toda comodidade e economia que a tecnologia pode oferecer. Estamos no mercado há pouco mais de 1 ano, fechamos parceria com 200 lojas no Distrito Federal e alcançamos mais de 30 mil usuários que já realizaram 36 mil pesquisas e obtiveram R$ 40 mil de economia. A grande estratégia é atuar com inteligência e tecnologia no momento exato em que os consumidores precisam articulando precisamente todos os elementos envolvidos no processo de venda para que a experiência de compra seja, em todos os aspectos, a melhor e mais perfeita possível, mostrando que o jeito de ir à farmácia mudou.

Automatização e análise de dados e informações

A inteligência artificial também pode acelerar os processos de triagem dentro dos hospitais. A prática, que tem como objetivo priorizar os pacientes com base em narrativas sobre antecedentes e em análise de sintomas e de sinais vitais, é extremamente importante, pois é por meio dela que os médicos têm informações mais detalhadas sobre a situação de saúde dos pacientes, podendo entender o nível de criticidade deles. O tempo de triagem, principalmente em hospitais, é extremamente importante, pois ele define em quanto tempo o paciente deverá ser atendido. Uma das ferramentas que os hospitais passaram a adotar é a triagem computadorizada.

Iniciativas como a da HealthTap, startup que no final de 2016 lançou o Doctor A.I., um assistente que indica aos pacientes cuidados médicos de forma automática, impulsionado por inteligência artificial, atacaram diretamente o processo de triagem. O sistema, utilizando machine learning para aprender sobre as respostas dadas pelos médicos durante os atendimentos na plataforma da HealthTap, faz questionamentos sobre os sintomas do paciente e faz recomendações sobre o que fazer em seguida.

De acordo com Geoff Rutledge, Chief Medical Officer da startup, o conhecimento da plataforma equivale a centenas de milhares de anos de conhecimento em cursos médicos e mais um milhão de anos de experiência médica. Um dos maiores benefícios aos médicos, apontado no post publicado pela HealthTap no Medium, é o de realizar pré-triagens.

Além disso, assim como foi apontado pelo relatório Medical Imaging in the Age of Artificial Intelligence, divulgado pela Samsung em 2017, nos próximos 10 anos a especialidade de radiologia, responsável por realizar exames radiográficos para identificação de diagnósticos, controle e tratamento de doenças, e a prática de análises de imagens para diagnósticos como um todo também serão cada vez mais suscetíveis a serem transformadas pela inteligência artificial.

Com o objetivo de auxiliar os profissionais da área, as expectativas para os avanços de machine learning nesses processos é que acelere o fluxo de trabalho e torne os resultados ainda mais assertivos. Um estudo feito em 2017 demonstrou que, em radiografias de tórax, casos de tuberculose foram detectados com uma sensitividade de 97% e 100% de especificidade utilizando duas redes neurais profundas para análise de imagem, permitindo que os radiologistas avaliassem apenas casos ambíguos.

O estudo da Samsung ainda ressalta que a introdução de IA não substituirá a função dos radiologistas - será uma ferramenta adicional para os profissionais, principalmente como uma forma de prevenção de erros. Os erros de interpretação acontecem em 4% dos diagnósticos feitos pelos profissionais, sendo que esse número pode ser maior ou menor dependendo do nível de complexidade do procedimento. Pesquisas mostram que a média de erros de interpretação podem aumentar quando os radiologistas são pressionados a trabalharem mais rápido.

Um dos desafios indicados pela Samsung foi a falta de especialistas em radiologia e o aumento exponencial da demanda por diagnóstico de imagens. Na Inglaterra o número de de tomografias computadorizadas aumentou 29% entre 2012 e 2015. Nesse mesmo período, o número de especialistas cresceu apenas 5%. No Brasil, há aproximadamente 10 mil radiologistas registrados pelo Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem. Dessa forma, a inteligência artificial pode ajudar a tornar o processo de identificação de possíveis doenças muito mais rápido e preciso.

A Arterys foi fundada em 2011 justamente com o objetivo de acelerar o processo de diagnóstico por meio de imagens de exames. Com a missão de transformar radicalmente a medicina diagnóstica de imagens com alta performance de cloud computing, a startup participou de 8 rodadas de investimento nas quais, no total, captou U$43.7 milhões. Ela foi a primeira a receber a certificação do FDA, órgão regulador norte-americano, para aplicar machine learning em condições clínicas.

Aprendendo com mais de mil casos complexos, por meio da plataforma, é possível indicar um diagnóstico em até 15 segundos, o que um profissional treinado demoraria entre 30 minutos e 1 hora. A Arterys foi fundada pelo Fabien Beckers, John Axerio-Cilies, Albert Hsiao e Shreyas Vasanawala quando ainda estudavam na Universidade de Stanford. Atualmente a plataforma é capaz de identificar doenças e problemas em exames radiológicos de coração, de pulmão e de fígado.

A inovação liderada por grandes empresas no Brasil

No Brasil, grandes empresas que atuam na área, como a General Electric, por meio da GE Healthcare, vêm buscando inovar na saúde, trazendo ao mercado sistemas preditivos e inteligentes para que se possa antecipar possíveis problemas, evitando, assim, custos adicionais não esperados. Entretanto, Paulo Banevicius, Líder de Healthcare Digital da GE Healthcare América Latina, ressalta que, para isso, é preciso captar e coletar informações relevantes e de boa qualidade.

Hoje em dia, as ferramentas digitais tornam-se importantes aliadas dos gestores hospitalares, profissionais da saúde e pacientes. No entanto, embora tenha ocorrido uma verdadeira explosão de dados nos últimos 10 anos, não necessariamente eles geraram um aumento significativo em produtividade. Esse é cenário que enxergamos, com o entendimento de que apenas por meio da digitalização será possível impulsionar a tecnologia dentro do segmento de saúde", afirma Banevicius.

Hoje, focados em dados, coletam-nos, analisam-nos, extraem insights e os traduzem, transformando aprendizados em ações e resultados para as instituições e a própria indústria. É por essa razão que a empresa vem buscando investir em equipamentos e softwares que trazem esses benefícios e que aumentem a eficiência dos exames e procedimentos. Após o Hospital do Câncer III, parte do Instituto Nacional do Câncer (INCA), ter feito um levantamento que mostrava que 60% dos exames de mamografia chegavam às unidades apresentando falhas, a GE, em parceria com o Hospital de Câncer de Barretos, desenvolveu um software para auxiliar os técnicos responsáveis durante o exame de mamografia.

A solução, alocada em nuvem, usa algoritmos e parâmetros para avaliar, em tempo real, se o posicionamento da mama está correto. Caso não esteja, um alerta é emitido ao técnico de radiologia que pode, então, fazer as correções necessárias durante o exame evitando imagens com baixa qualidade e, consequentemente, danos às pacientes e às instituições.

Dessa maneira, a ferramenta possibilita um diagnóstico mais assertivo reduzindo a incidência de resultados falso positivos ou falso negativos. Outro benefício trazido pela solução foi a diminuição da necessidade de reconvocar a paciente para refazer o exame, que podem gerar gastos para a instituição e desgastar emocionalmente a mulher.

Para Banevicius, a introdução das tecnologias na área de saúde traz benefícios que vão além da garantia de diagnósticos rápidos e precisos. As inovações permitem compartilhar risco, aumentar a qualidade e estabelecer padrões de procedimentos, melhorar a gestão dos fluxos de trabalho e operações, reduzir custos, aumentar a produtividade, facilitar a gestão financeira e muitos outros benefícios que a instituição necessite. Entretanto, para isso, é preciso que todos envolvidos na cadeia aceitem as inovações. “A aderência e adoção dessas tecnologias acontecerá cada vez mais quanto mais os provedores estejam abertos a compartilhar os riscos dessas soluções”, diz.

Veja o que Fabio Yoshito Ajimura, Diretor Executivo do HCFMUSP-HAS e Diretor do PROAHSA, fala sobre o tema

O setor de saúde sempre foi muito tradicional e um dos que se desenvolveu mais tardiamente no que diz respeito a gestão e administração e é por isso que tem dificuldades com inovação nesses aspectos. Apesar de ser muito dependente das inovações tecnológicas, estas estavam mais voltadas para desenvolvimento e aperfeiçoamento de equipamentos, sendo evidente que sem as incorporações tecnológicas não conseguiríamos ter os resultados que temos hoje. Criamos um comitê que busca parcerias na área de saúde para desenvolvermos tecnologia e inovação. Esperamos das startups propostas sólidas e de qualidade e não quantidade. O hospital pode ter ajuda de startups para trabalhar a questão de dados, histórico dos pacientes e protocolos assistenciais. O big data é importante pois a quantidade de dados gerada atualmente poderá ter desdobramentos muito grandes, mas para isso precisam ser transformadas em informações e conhecimento.

Uma empresa que está em contato com o ecossistema de startups é o Laboratório Sabin, focado em medicina diagnóstica. Gabriel Soares Costa, Head de Corporate Venturing da corporação, acredita que a com a startup Pickcells gerará um aprendizado mútuo. "Ao mesmo tempo que nós podemos oferecer a possibilidade de escala, eles podem gerar eficiência por trazerem automação para o setor da medicina diagnóstica, que ainda dependente do fator humano”, afirma. Atualmente, na iminência de implantar a solução da startup no dia a dia do laboratório, Marcelo Pena Costa, Diretor de Criação, afirma que a abertura do edital foi o resultado de uma percepção de que é fundamental ter uma aproximação com startups de forma a entender as inovações no setor de saúde.

Dados digitais, IoT e integração de sistemas

Com a integração de dados, outra temática que vem preocupando as instituições de saúde é a segurança de dados dos pacientes. Segundo relatório divulgado pela Verizon, o setor de saúde é a segunda área que recebe mais ciberataques, perdendo somente para o de finanças, que tem o maior número de ocorridos anualmente, sendo que 80% dos casos de ciberataques na área de saúde acontecem aos provedores, de acordo com estudo realizado pela Protenus. A Cleardata, é uma startup que comercializa um provedor de serviços de computação em nuvem e segurança da informação para provedores de serviços de saúde, fornecedores de software e VARs. Fundada em 2011, a Cleardata já captou U$54.5 milhões em uma rodada de investimento Series D.

A internet das coisas é outra inovação que vem ganhando espaço na área de saúde. De acordo com o relatório da Grand View Research, estima-se que mais de 161 milhões de dispositivos de IoT serão instalados até 2020. Atualmente as aplicações de IoT em saúde concentram-se em wearables, que são responsáveis por 60% dos equipamentos médicos, segundo o relatório. O relatório Building the Hospital of 2030, publicado pela Aruba, aponta que, até 2030, além da integração de dados digitais, os hospitais automatizados também poderão transformar a área de saúde.

A automatização hospitalar poderá permitir que os pacientes, ao entrarem no hospital, possam, por exemplo, ser pré-triados por meio de sensores capazes de captar informações de temperatura, pressão arterial e realizar um eletrocardiograma em 10 segundos. Além disso, também podem ser aplicados para gestão de almoxarifados por meio de inventários automatizados e em tempo real. Como tratado no post sobre distribuidores, a integração de sistemas que captam informações sobre itens nos estoques as enviam aos centros distribuidores e fornecedores é importante, principalmente por uma questão de logística e planejamento de recursos.

Saiba o que os profissionais de grandes empresas e especialistas estão falando sobre o tema em entrevistas completas aqui

Caminhando por mais um elo da cadeia, vamos discutir neste post as possibilidades de inovações e tecnologias envolvendo os novos e os já existentes processos inerentes ao elo de operadores e servidores de saúde. Os desafios dos demais atores da cadeia refletem também a necessidade de inovação neste elo, representado aqui pelos hospitais. A dificuldade enfrentada pelas operadoras de plano de saúde por conta da diminuição no número de beneficiários, como falado no post sobre intermediadores, também vem atingindo os hospitais. Segundo a Anahp (Associação Nacional dos Hospitais Privados), apesar de a receita média por internação em 2017 ter atingido o valor de R$ 21,5 mil, 7,3% a mais do que no ano anterior, as despesas administrativas e médicas cresceram 8,1%, passando a ser R$ 18,7 mil.

Desenvolvimento de novos negócios

Os hospitais passaram a ter o desafio de estudar novas maneiras para reverter a situação, sobretudo pelos convênios de saúde serem a principal fonte pagadora deles. De acordo com a Anahp, em 2014, os convênios eram responsáveis por 90.8% da receita. A busca por eficiência e inovações fez com que os hospitais vissem as tecnologias também como oportunidades de levarem seus negócios a outro patamar, além de fomentar o desenvolvimento do setor.

Foi assim que nasceu a iniciativa Eretez.bio, lançada pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Criada em 2017, a incubadora apoia startups dando acesso aos Laboratórios de Pesquisa e Inovação. Assim, conecta-se a mais de 20 startups em diversos assuntos do tema.Também acompanhando a linha de inovação aberta, o Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) iniciou o desenvolvimento do Open D’Or Healthcare Innovation Hub.

Sua estrutura prevê um laboratório de simulação do ambiente hospitalar, que permite o desenvolvimento e a realização de testes e integração das soluções desenvolvidas pelas startups com os sistemas e equipamentos utilizados pela Rede D’Or São Luiz. “Sabemos que há um processo de transformação cultural e de comunicação do grupo com essas inovações que existem no mercado. Queremos que haja mais compartilhamento de inovações na área de saúde”, afirma Gabriela de Salles van der Linden, Fundraising and Investor Relations no IDOR.

A versatilidade da IA no setor da saúde

A inteligência artificial, que está se tornando cada vez mais sofisticada, é apontada como tendência de inovação para a área de saúde, principalmente por poder ser aplicada de diferentes maneiras com objetivos totalmente diversos. De acordo com o relatório Digital Health Technology Vision 2017, realizado pela Accenture em todo o mundo, 72% das organizações de saúde já utilizam inteligência artificial em seus assistentes virtuais. Além disso, 84% dos profissionais da área de saúde entrevistados acreditam que IA poderá revolucionar a maneira que eles obtêm informações e a maneira como irão interagir com seus pacientes.

Arte com informações sobre a utilização de inteligência artificial em organizações de saúde.

Fundada em 2015, a CUCO Health é uma startup brasileira que possui em seu portfólio uma solução chamada Enfermeira Digital. A tecnologia se utiliza de inteligência artificial das APIs cognitivas do IBM Watson; por meio dela, beneficiários de operadoras ou hospitais clientes da CUCO têm à disposição uma interface que pode instruir o paciente e esclarecer possíveis dúvidas que surjam ao longo do tratamento. Segundo a CUCO, “esta interação evita que o paciente faça pesquisas em fontes que não sejam seguras, encontrando informações falsas sobre como realizar o tratamento da maneira correta”.

A CUCO Health também trabalha a questão de monitoramento remoto de pacientes, fazendo o acompanhamento da adesão medicamentosa. A plataforma acompanha o histórico do tratamento de pacientes e envia mensagens com dicas e informações para ajudá-los a seguirem o tratamento de forma correta. O paciente também consegue cadastrar familiares, amigos, cuidadores e enfermeiros na funcionalidade “Cuidadores”, que envia notificações a eles quando um medicamentos for esquecido de tomar na hora certa.

A startup, em parceria com o Hospital do Coração (HCor), conseguiu aumentar o nível médio de adesão medicamentosa de pacientes, de 40%, para 79% em crianças cardiopatas. Lívia Cunha, CEO e cofundadora da startup, conta que a instituição tinha a preocupação de certificar que o pós operatório de pacientes infantis com cardiopatia congênita fosse cumprido rigorosamente. Após a implementação da CUCO, os pacientes passaram a ter alta no hospital e já logo ter acesso à plataforma, que servia como uma enfermeira que ia para casa com eles.

Com isso, pôde-se ter uma conexão direta entre o paciente, a rede gestora do hospital e a equipe de enfermeiras, que conseguiam acompanhar a evolução do paciente. A startup, que já captou R$ 1 milhão de investidor anjo, oferece um aplicativo gratuito para o paciente. Os responsáveis pelo pagamento da mensalidade são os planos de saúde, hospitais e laboratórios farmacêuticos, para quem fazem o projeto de monitoramento e relacionamento com o paciente. A CUCO Health estuda implementar o modelo B2C.

Soluções como a da CUCO, que se propõem a aumentar a adesão medicamentosa, impactam não só os pacientes e os profissionais da área, mas também outras instituições, como as farmácias. Luiz Felipe Bay, Diretor de Vendas Corporativas da Univers (PBM da Raiadrogasil), afirma que, do ponto de vista do varejo, oportunidades de inovação e as startups envolvidas nos processos de atendimento nas lojas são interessantes, especialmente se estudarem e considerarem as necessidades reais de melhoria no dia a dia das drogarias.

As melhores oportunidades são aquelas que simplificam nossa operação de atendimento e que utilizam a informação a favor de um atendimento de qualidade, sem excesso de opções e nem etapas desnecessárias ou que descaracterizem nossa cultura de atendimento. As inovações são extremamente promissoras e potencialmente transformadoras, principalmente em relação a tudo passar a ter muito mais velocidade, e também por conta da ampliação do uso inteligente de informações entre a área e o varejo farmacêutico. É de extrema importância que as startups conheçam as operações do dia a dia. Ao mesmo tempo, há o desafio de unir cultura e identidade de inovação", comenta Bay

Além disso, afirma que é preciso ter uma estrutura de capacitação e de treinamento adequadas quando se pensa em uma empresa do tamanho da Raiadrogasil, presente em 20 estados, com mais de 1.650 lojas e 32 mil funcionários. De acordo com ele, a aderência às novas tecnologias não ocorre se não houver um ambiente preparado e com pessoas envolvidas nas mudanças.

Veja o que Sérgio Bergmann, CIO do Qual Farmácia, fala sobre o tema

Nunca houve um tempo mais desafiante para os varejistas do que agora. Sobreviverão aqueles que reagirem e fizerem a transição para a era digital de forma rápida e efetiva. Esta reflexão foi o ponto de partida do Qual Farmácia. Desenvolvemos uma plataforma de vendas online capaz de levar milhares de consumidores para as lojas físicas, alavancando o faturamento das farmácias ao mesmo tempo em que ajudamos os consumidores a encontrar e comprar produtos farmacêuticos com toda comodidade e economia que a tecnologia pode oferecer. Estamos no mercado há pouco mais de 1 ano, fechamos parceria com 200 lojas no Distrito Federal e alcançamos mais de 30 mil usuários que já realizaram 36 mil pesquisas e obtiveram R$ 40 mil de economia. A grande estratégia é atuar com inteligência e tecnologia no momento exato em que os consumidores precisam articulando precisamente todos os elementos envolvidos no processo de venda para que a experiência de compra seja, em todos os aspectos, a melhor e mais perfeita possível, mostrando que o jeito de ir à farmácia mudou.

Automatização e análise de dados e informações

A inteligência artificial também pode acelerar os processos de triagem dentro dos hospitais. A prática, que tem como objetivo priorizar os pacientes com base em narrativas sobre antecedentes e em análise de sintomas e de sinais vitais, é extremamente importante, pois é por meio dela que os médicos têm informações mais detalhadas sobre a situação de saúde dos pacientes, podendo entender o nível de criticidade deles. O tempo de triagem, principalmente em hospitais, é extremamente importante, pois ele define em quanto tempo o paciente deverá ser atendido. Uma das ferramentas que os hospitais passaram a adotar é a triagem computadorizada.

Iniciativas como a da HealthTap, startup que no final de 2016 lançou o Doctor A.I., um assistente que indica aos pacientes cuidados médicos de forma automática, impulsionado por inteligência artificial, atacaram diretamente o processo de triagem. O sistema, utilizando machine learning para aprender sobre as respostas dadas pelos médicos durante os atendimentos na plataforma da HealthTap, faz questionamentos sobre os sintomas do paciente e faz recomendações sobre o que fazer em seguida.

De acordo com Geoff Rutledge, Chief Medical Officer da startup, o conhecimento da plataforma equivale a centenas de milhares de anos de conhecimento em cursos médicos e mais um milhão de anos de experiência médica. Um dos maiores benefícios aos médicos, apontado no post publicado pela HealthTap no Medium, é o de realizar pré-triagens.

Além disso, assim como foi apontado pelo relatório Medical Imaging in the Age of Artificial Intelligence, divulgado pela Samsung em 2017, nos próximos 10 anos a especialidade de radiologia, responsável por realizar exames radiográficos para identificação de diagnósticos, controle e tratamento de doenças, e a prática de análises de imagens para diagnósticos como um todo também serão cada vez mais suscetíveis a serem transformadas pela inteligência artificial.

Com o objetivo de auxiliar os profissionais da área, as expectativas para os avanços de machine learning nesses processos é que acelere o fluxo de trabalho e torne os resultados ainda mais assertivos. Um estudo feito em 2017 demonstrou que, em radiografias de tórax, casos de tuberculose foram detectados com uma sensitividade de 97% e 100% de especificidade utilizando duas redes neurais profundas para análise de imagem, permitindo que os radiologistas avaliassem apenas casos ambíguos.

O estudo da Samsung ainda ressalta que a introdução de IA não substituirá a função dos radiologistas - será uma ferramenta adicional para os profissionais, principalmente como uma forma de prevenção de erros. Os erros de interpretação acontecem em 4% dos diagnósticos feitos pelos profissionais, sendo que esse número pode ser maior ou menor dependendo do nível de complexidade do procedimento. Pesquisas mostram que a média de erros de interpretação podem aumentar quando os radiologistas são pressionados a trabalharem mais rápido.

Um dos desafios indicados pela Samsung foi a falta de especialistas em radiologia e o aumento exponencial da demanda por diagnóstico de imagens. Na Inglaterra o número de de tomografias computadorizadas aumentou 29% entre 2012 e 2015. Nesse mesmo período, o número de especialistas cresceu apenas 5%. No Brasil, há aproximadamente 10 mil radiologistas registrados pelo Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem. Dessa forma, a inteligência artificial pode ajudar a tornar o processo de identificação de possíveis doenças muito mais rápido e preciso.

A Arterys foi fundada em 2011 justamente com o objetivo de acelerar o processo de diagnóstico por meio de imagens de exames. Com a missão de transformar radicalmente a medicina diagnóstica de imagens com alta performance de cloud computing, a startup participou de 8 rodadas de investimento nas quais, no total, captou U$43.7 milhões. Ela foi a primeira a receber a certificação do FDA, órgão regulador norte-americano, para aplicar machine learning em condições clínicas.

Aprendendo com mais de mil casos complexos, por meio da plataforma, é possível indicar um diagnóstico em até 15 segundos, o que um profissional treinado demoraria entre 30 minutos e 1 hora. A Arterys foi fundada pelo Fabien Beckers, John Axerio-Cilies, Albert Hsiao e Shreyas Vasanawala quando ainda estudavam na Universidade de Stanford. Atualmente a plataforma é capaz de identificar doenças e problemas em exames radiológicos de coração, de pulmão e de fígado.

A inovação liderada por grandes empresas no Brasil

No Brasil, grandes empresas que atuam na área, como a General Electric, por meio da GE Healthcare, vêm buscando inovar na saúde, trazendo ao mercado sistemas preditivos e inteligentes para que se possa antecipar possíveis problemas, evitando, assim, custos adicionais não esperados. Entretanto, Paulo Banevicius, Líder de Healthcare Digital da GE Healthcare América Latina, ressalta que, para isso, é preciso captar e coletar informações relevantes e de boa qualidade.

Hoje em dia, as ferramentas digitais tornam-se importantes aliadas dos gestores hospitalares, profissionais da saúde e pacientes. No entanto, embora tenha ocorrido uma verdadeira explosão de dados nos últimos 10 anos, não necessariamente eles geraram um aumento significativo em produtividade. Esse é cenário que enxergamos, com o entendimento de que apenas por meio da digitalização será possível impulsionar a tecnologia dentro do segmento de saúde", afirma Banevicius.

Hoje, focados em dados, coletam-nos, analisam-nos, extraem insights e os traduzem, transformando aprendizados em ações e resultados para as instituições e a própria indústria. É por essa razão que a empresa vem buscando investir em equipamentos e softwares que trazem esses benefícios e que aumentem a eficiência dos exames e procedimentos. Após o Hospital do Câncer III, parte do Instituto Nacional do Câncer (INCA), ter feito um levantamento que mostrava que 60% dos exames de mamografia chegavam às unidades apresentando falhas, a GE, em parceria com o Hospital de Câncer de Barretos, desenvolveu um software para auxiliar os técnicos responsáveis durante o exame de mamografia.

A solução, alocada em nuvem, usa algoritmos e parâmetros para avaliar, em tempo real, se o posicionamento da mama está correto. Caso não esteja, um alerta é emitido ao técnico de radiologia que pode, então, fazer as correções necessárias durante o exame evitando imagens com baixa qualidade e, consequentemente, danos às pacientes e às instituições.

Dessa maneira, a ferramenta possibilita um diagnóstico mais assertivo reduzindo a incidência de resultados falso positivos ou falso negativos. Outro benefício trazido pela solução foi a diminuição da necessidade de reconvocar a paciente para refazer o exame, que podem gerar gastos para a instituição e desgastar emocionalmente a mulher.

Para Banevicius, a introdução das tecnologias na área de saúde traz benefícios que vão além da garantia de diagnósticos rápidos e precisos. As inovações permitem compartilhar risco, aumentar a qualidade e estabelecer padrões de procedimentos, melhorar a gestão dos fluxos de trabalho e operações, reduzir custos, aumentar a produtividade, facilitar a gestão financeira e muitos outros benefícios que a instituição necessite. Entretanto, para isso, é preciso que todos envolvidos na cadeia aceitem as inovações. “A aderência e adoção dessas tecnologias acontecerá cada vez mais quanto mais os provedores estejam abertos a compartilhar os riscos dessas soluções”, diz.

Veja o que Fabio Yoshito Ajimura, Diretor Executivo do HCFMUSP-HAS e Diretor do PROAHSA, fala sobre o tema

O setor de saúde sempre foi muito tradicional e um dos que se desenvolveu mais tardiamente no que diz respeito a gestão e administração e é por isso que tem dificuldades com inovação nesses aspectos. Apesar de ser muito dependente das inovações tecnológicas, estas estavam mais voltadas para desenvolvimento e aperfeiçoamento de equipamentos, sendo evidente que sem as incorporações tecnológicas não conseguiríamos ter os resultados que temos hoje. Criamos um comitê que busca parcerias na área de saúde para desenvolvermos tecnologia e inovação. Esperamos das startups propostas sólidas e de qualidade e não quantidade. O hospital pode ter ajuda de startups para trabalhar a questão de dados, histórico dos pacientes e protocolos assistenciais. O big data é importante pois a quantidade de dados gerada atualmente poderá ter desdobramentos muito grandes, mas para isso precisam ser transformadas em informações e conhecimento.

Uma empresa que está em contato com o ecossistema de startups é o Laboratório Sabin, focado em medicina diagnóstica. Gabriel Soares Costa, Head de Corporate Venturing da corporação, acredita que a com a startup Pickcells gerará um aprendizado mútuo. "Ao mesmo tempo que nós podemos oferecer a possibilidade de escala, eles podem gerar eficiência por trazerem automação para o setor da medicina diagnóstica, que ainda dependente do fator humano”, afirma. Atualmente, na iminência de implantar a solução da startup no dia a dia do laboratório, Marcelo Pena Costa, Diretor de Criação, afirma que a abertura do edital foi o resultado de uma percepção de que é fundamental ter uma aproximação com startups de forma a entender as inovações no setor de saúde.

Dados digitais, IoT e integração de sistemas

Com a integração de dados, outra temática que vem preocupando as instituições de saúde é a segurança de dados dos pacientes. Segundo relatório divulgado pela Verizon, o setor de saúde é a segunda área que recebe mais ciberataques, perdendo somente para o de finanças, que tem o maior número de ocorridos anualmente, sendo que 80% dos casos de ciberataques na área de saúde acontecem aos provedores, de acordo com estudo realizado pela Protenus. A Cleardata, é uma startup que comercializa um provedor de serviços de computação em nuvem e segurança da informação para provedores de serviços de saúde, fornecedores de software e VARs. Fundada em 2011, a Cleardata já captou U$54.5 milhões em uma rodada de investimento Series D.

A internet das coisas é outra inovação que vem ganhando espaço na área de saúde. De acordo com o relatório da Grand View Research, estima-se que mais de 161 milhões de dispositivos de IoT serão instalados até 2020. Atualmente as aplicações de IoT em saúde concentram-se em wearables, que são responsáveis por 60% dos equipamentos médicos, segundo o relatório. O relatório Building the Hospital of 2030, publicado pela Aruba, aponta que, até 2030, além da integração de dados digitais, os hospitais automatizados também poderão transformar a área de saúde.

A automatização hospitalar poderá permitir que os pacientes, ao entrarem no hospital, possam, por exemplo, ser pré-triados por meio de sensores capazes de captar informações de temperatura, pressão arterial e realizar um eletrocardiograma em 10 segundos. Além disso, também podem ser aplicados para gestão de almoxarifados por meio de inventários automatizados e em tempo real. Como tratado no post sobre distribuidores, a integração de sistemas que captam informações sobre itens nos estoques as enviam aos centros distribuidores e fornecedores é importante, principalmente por uma questão de logística e planejamento de recursos.

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A startup americana Arteys, que já levantou mais de US$40 milhões em investimentos com fundos como aa GE Ventures e Northwell, desenvolveu uma inteligência artificial para análises de exames radiológicos. A startup desenvolveu parcerias comerciais com a GE e Siemens para uso da tecnologia.

A ClearDATA, startup americana que já levantou mais de US$ 50 milhões em investimentos, acompanhando as novas questões advindas do uso e integração de dados, é especialista em soluções de nuvem e compliance para segurança da informação no mercado da saúde.

Com mais de 300 lojas cadastradas e mais de 30 mil usuários em sua base, a Qual Farmácia é uma startup que liga os estoques das farmácias com a busca das pessoas de maneira remota, incluindo o varejo de medicamentos no mundo digital. A startup foi investida pela Porto Seguro e Plug and Play Tech Center.

A Pickcells é uma startup brasileira que tem por objetivo desenvolver uma plataforma baseada em visão computacional, que permite o diagnóstico automatizado, preciso e eficiente de doenças infecciosas, em tempo real e com baixo custo.

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