Os primeiros passos do IIoT e sensorização no ambiente industrial
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Os primeiros passos do IIoT e sensorização no ambiente industrial

Entenda um pouco mais sobre a sensorização unida à tecnologia de IIoT para digitalização de processos na indústria

Em um cenário em que a digitalização é cada vez mais presente em diferentes mercados, torna-se difícil imaginar a indústria descolada dessa realidade. De maneira geral, tecnologias relacionadas a dados, analytics e inteligência artificial já se apresentam bastante relevantes em setores como o Varejo, Saúde, Imobiliário, Logístico, entre outros; contudo, sua adoção ainda é incipiente no segmento industrial. E, apesar de tal mercado ainda estar em um processo de iniciação, movimentações interessantes já começam a ocorrer, em uma área de vastas oportunidades.

Baixa digitalização da indústria

As oportunidades são enormes justamente por ser um segmento ainda pouco digital, cujos processos se mantêm tradicionais e manuais. De acordo com informações da CNI (Confederação Nacional da Indústria) publicadas no portal EXAME, apenas 1,6% das companhias do setor têm seus processos produtivos digitalizados; a estimativa é que esse número chegue a 21,8% nos próximos dez anos.

Além disso, apenas 22,2% das indústrias atribuem automatização à sua produção; na próxima década, a expectativa é de que esse número mais que dobre, um cenário em que 55% delas devem ter suas áreas de produção automatizadas. Ainda de acordo com a publicação, para as empresas que estão se iniciando na transformação digital industrial, recomenda-se a utilização de sensorização, big data e cloud computing como um primeiro passo, com o objetivo de entregar um panorama do que acontece no chão de fábrica.

Sensorização + IIoT

Dentro desse contexto, ganha importância, além da tecnologia de sensores, o IoT industrial (IIoT). Como uma subcategoria de Internet of Things, o IIoT se trata da conexão de máquinas e equipamentos físicos à Internet, de maneira que se capture dados de diferentes tipos relacionados à linha de produção fabril.

Tais dados, mediante análise realizada por plataformas de analytics e inteligência artificial, podem basear tomadas de decisão, que passam a ser mais objetivas e assertivas, conferindo mais produtividade e eficiência ao processo. 

Além dos benefícios conhecidos e esperados por meio da utilização de sensorização combinada a IoT, outro motivo que pode contribuir para o aumento de aplicação de sensores conectados na indústria é a acessibilidade de preços, que, ano a ano, têm registrado queda. Conforme um estudo realizado pela Microsoft, quinze anos atrás, em 2004, um sensor IoT custava, em média, US$1.30; em 2018, tal valor já havia chegado a US$0.44 e, para 2020, espera-se que chegue a US$0.38, preço aproximadamente 200% mais barato em comparação àquele registrado no início do milênio. 

De acordo com Sérgio Soares, Diretor do Instituto SENAI de Inovação para TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação), aliar a tecnologia propiciada por sensores ao conceito de Internet das Coisas é o pontapé de entrada para o mundo 4.0, representando, também, um modelo acessível, que visa a transformação. 

“Para empresas que ainda não estão preparadas ou precisam salvar o negócio, sensores IoT são o primeiro passo. São fundamentais como soluções de baixo custo e escaláveis. Em um nível básico da discussão, são tecnologias democráticas, que variam entre um estágio inicial, como a contagem de produtos, até algo mais sofisticado, como a comunicação entre máquinas, reconfiguração em tempo real de uma planta”, afirma Soares. 

Ganho de importância em âmbito mundial

Para 2019, as estimativas são de que os gastos em âmbito global com Internet das Coisas alcance US$745 bilhões, valor 15,4% superior ao registrado em 2018 (US$646 bilhões), segundo dados da IDC (International Data Corporation). Ainda, a previsão é de que o aumento de gastos se mantenha na casa dos dois dígitos anualmente até 2022, quando pode ultrapassar US$1 trilhão.

Imagem com dados sobre estimativas de gastos com IoT em âmbito global e segmentos que mais investem em IIoT

Dentro da indústria, os segmentos que mais devem investir em IoT são a da manufatura discreta (US$119 bilhões), manufatura de processos (US$78 bilhões), transportes (US$71 bilhões) e serviços (US$ 61 bilhões). Conforme análise da IDC, os gastos na indústria de manufatura serão bastante focados em soluções que suportem operações e gerenciamento de ativos de produção. 

O mercado de startups do segmento

O mercado de startups com soluções de IoT também tem registrado crescimento em anos recentes. De acordo com uma publicação da Forbes, mais de 26 mil startups estão adotando Internet das Coisas como sua principal tecnologia para alavancar novos produtos e serviços e também para suportar modelos de negócio baseados em plataforma – as informações são do Crunchbase. 

Além disso, investimentos em startups do segmento atingiram US$16.7 bi no quarto trimestre de 2018, tornando o valor total de aportes (aproximadamente US$ 26 bi) 94% maior em relação a 2017 (aproximadamente US$13.5 bi), segundo informações da Venture Scanner. Em 2019, até o fim do terceiro trimestre, o valor de investimentos registrado foi de US$15 bi. É difícil mensurar precisamente, no entanto, o montante investido especificamente em startups com foco em IIoT.

No Brasil, de acordo com um estudo realizado em 2017 pelo Liga Insights sobre Tecnologias Emergentes, existiam, naquele ano, 48 startups do segmento de IoT, que representavam 25% do total (193 startups de categorias consideradas tecnologias emergentes) mapeado. Uma das empresas mapeadas nesse levantamento foi a Dev, cujo modelo de negócio e soluções podem ser um indício de um interesse crescente do mercado tanto em Internet das Coisas de maneira geral, quanto especificamente em IIoT.

Atualmente, a Dev oferece duas principais categorias de serviço para o mercado. Uma delas, por meio da Dev Tecnologia, uma Design House focada em IoT, que atende empresas interessadas em desenvolver plataformas de Internet das Coisas para o próprio portfólio. Nessa modalidade, a startup oferece ao cliente um time de Pesquisa & Desenvolvimento especializado para o desenvolvimento do produto. Dentro dessa categoria, já realizou mais de 100 projetos e atendeu clientes da área de eletrônica, como Intelbras e Samsung.

De acordo com Silvia Takey, Diretora Executiva da startup, a Dev também conta com  a unidade DEVTec.io, que se posiciona para fornecer soluções de IoT, principalmente de localização e sensoriamento remoto, já prontas para o mercado.

“Atualmente, nós oferecemos uma tag bluetooth que, conectada a uma máquina, realiza monitoramento de produção e temperatura. A informação captada é encaminhada para um leitor e posteriormente é enviada para uma plataforma, que conta tanto com uma visualização direta de uma aplicação, como também pode ser conectada a outro software que a empresa utilize”, conta Takey. 

As soluções oferecidas pela Dev – apesar de contemplarem tanto hardware quanto software – são apenas algumas das possíveis aplicações decorrentes da utilização de sensorização e IloT. 

Aplicações de IoT Industrial

De acordo com a Hewlett Packard Enterprise (braço de soluções de software e produtos para empresas da HP), existem três principais exemplos de aplicação decorrentes de IIoT:

  • Produção – utilização do conceito para monitoramento e predição automática de possíveis problemas, o que resulta em maior produtividade, maior eficiência e menos paralisações no processo;
  • Cadeia de suprimentos – a partir de um inventário sensorizado, o IIoT pode automatizar encomendas de suprimentos antes mesmo que os estoques esvaziem, resultando em menos desperdícios e possibilitando que os funcionários realizem outras atividades e tarefas mais importantes;
  • Gerenciamento de instalações – a utilização do IIoT, nesse caso, pode conferir mais simplicidade e segurança, a partir do monitoramento de clima via sensores, por exemplo, e pela resposta rápida a potenciais ameaças, aumentando a segurança das instalações.

Outras aplicações como monitoramento de gasto de energia também são importantes, em busca de um sistema produtivo mais sustentável. 

Iniciativas para o crescimento

De forma que tais exemplos virem realidade amplamente no Brasil, iniciativas por parte do governo já têm sido criadas, com o objetivo de alavancar a Indústria 4.0 e tecnologias relacionadas no País. Em novembro de 2017, por exemplo, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), divulgou o “Relatório do plano de ação – Iniciativas e Projetos Mobilizadores”, um dos produtos integrantes de um estudo maior, entitulado “Internet das Coisas: um plano de ação para o Brasil”.

O principal objetivo do estudo foi propor um plano de ações estratégico para o Brasil sobre o conceito de IoT, e foi dividido em quatro etapas: diagnóstico, seleção de verticais e horizontais, aprofundamento e elaboração de um plano de ação (para o período entre 2018 e 2022) e suporte à implementação do planejamento. No documento, discorre-se sobre oportunidades no ambiente brasileiro, tal como as definições que guiariam as iniciativas relativas ao plano.

Outra iniciativa criada foi a Agenda Brasileira para a Indústria 4.0, lançada pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), tendo a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) como parceira. Conforme comunicado publicado no portal do MDIC, trata-se de um “conjunto de medidas para auxiliar o setor produtivo, em especial as pequenas e médias indústrias, em direção ao futuro da produção industrial.”

De acordo com um depoimento do presidente da ABDI presente no comunicado, “[…]o futuro da economia brasileira necessariamente passa por essa nova Revolução Industrial. A sociedade e todas as esferas do poder público também precisam estar preparadas para esse novo tempo. Precisamos de um esforço conjunto, que posicione o Brasil estrategicamente nesse contexto global.”

Segundo Luciano Cunha, coordenador-Geral de Tecnologias Inovadoras e Propriedade Intelectual do Ministério da Economia, o papel do órgão dentro do segmento industrial é trabalhar com políticas de incentivo, regulamentação de iniciativas e atuar em projetos específicos.

“Hoje nós contamos com projetos de fomento à inovação, como o InovAtiva Brasil, um programa de aceleração pública para startups, e o Brasil Mais Produtivo, para apoio e aumento de produtividade de PMEs. No projeto específico de Indústria 4.0, nós convocamos atores governamentais, empresas e associações para a discussão de possíveis ações e busca de sinergia, objetivando potencializar o resultado”, declara ele. 

Saiba o que os profissionais de grandes empresas e especialistas estão falando sobre o tema em entrevistas completas aqui

Em um cenário em que a digitalização é cada vez mais presente em diferentes mercados, torna-se difícil imaginar a indústria descolada dessa realidade. De maneira geral, tecnologias relacionadas a dados, analytics e inteligência artificial já se apresentam bastante relevantes em setores como o Varejo, Saúde, Imobiliário, Logístico, entre outros; contudo, sua adoção ainda é incipiente no segmento industrial. E, apesar de tal mercado ainda estar em um processo de iniciação, movimentações interessantes já começam a ocorrer, em uma área de vastas oportunidades.

Baixa digitalização da indústria

As oportunidades são enormes justamente por ser um segmento ainda pouco digital, cujos processos se mantêm tradicionais e manuais. De acordo com informações da CNI (Confederação Nacional da Indústria) publicadas no portal EXAME, apenas 1,6% das companhias do setor têm seus processos produtivos digitalizados; a estimativa é que esse número chegue a 21,8% nos próximos dez anos.

Além disso, apenas 22,2% das indústrias atribuem automatização à sua produção; na próxima década, a expectativa é de que esse número mais que dobre, um cenário em que 55% delas devem ter suas áreas de produção automatizadas. Ainda de acordo com a publicação, para as empresas que estão se iniciando na transformação digital industrial, recomenda-se a utilização de sensorização, big data e cloud computing como um primeiro passo, com o objetivo de entregar um panorama do que acontece no chão de fábrica.

Sensorização + IIoT

Dentro desse contexto, ganha importância, além da tecnologia de sensores, o IoT industrial (IIoT). Como uma subcategoria de Internet of Things, o IIoT se trata da conexão de máquinas e equipamentos físicos à Internet, de maneira que se capture dados de diferentes tipos relacionados à linha de produção fabril.

Tais dados, mediante análise realizada por plataformas de analytics e inteligência artificial, podem basear tomadas de decisão, que passam a ser mais objetivas e assertivas, conferindo mais produtividade e eficiência ao processo. 

Além dos benefícios conhecidos e esperados por meio da utilização de sensorização combinada a IoT, outro motivo que pode contribuir para o aumento de aplicação de sensores conectados na indústria é a acessibilidade de preços, que, ano a ano, têm registrado queda. Conforme um estudo realizado pela Microsoft, quinze anos atrás, em 2004, um sensor IoT custava, em média, US$1.30; em 2018, tal valor já havia chegado a US$0.44 e, para 2020, espera-se que chegue a US$0.38, preço aproximadamente 200% mais barato em comparação àquele registrado no início do milênio. 

De acordo com Sérgio Soares, Diretor do Instituto SENAI de Inovação para TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação), aliar a tecnologia propiciada por sensores ao conceito de Internet das Coisas é o pontapé de entrada para o mundo 4.0, representando, também, um modelo acessível, que visa a transformação. 

“Para empresas que ainda não estão preparadas ou precisam salvar o negócio, sensores IoT são o primeiro passo. São fundamentais como soluções de baixo custo e escaláveis. Em um nível básico da discussão, são tecnologias democráticas, que variam entre um estágio inicial, como a contagem de produtos, até algo mais sofisticado, como a comunicação entre máquinas, reconfiguração em tempo real de uma planta”, afirma Soares. 

Ganho de importância em âmbito mundial

Para 2019, as estimativas são de que os gastos em âmbito global com Internet das Coisas alcance US$745 bilhões, valor 15,4% superior ao registrado em 2018 (US$646 bilhões), segundo dados da IDC (International Data Corporation). Ainda, a previsão é de que o aumento de gastos se mantenha na casa dos dois dígitos anualmente até 2022, quando pode ultrapassar US$1 trilhão.

Imagem com dados sobre estimativas de gastos com IoT em âmbito global e segmentos que mais investem em IIoT

Dentro da indústria, os segmentos que mais devem investir em IoT são a da manufatura discreta (US$119 bilhões), manufatura de processos (US$78 bilhões), transportes (US$71 bilhões) e serviços (US$ 61 bilhões). Conforme análise da IDC, os gastos na indústria de manufatura serão bastante focados em soluções que suportem operações e gerenciamento de ativos de produção. 

O mercado de startups do segmento

O mercado de startups com soluções de IoT também tem registrado crescimento em anos recentes. De acordo com uma publicação da Forbes, mais de 26 mil startups estão adotando Internet das Coisas como sua principal tecnologia para alavancar novos produtos e serviços e também para suportar modelos de negócio baseados em plataforma – as informações são do Crunchbase. 

Além disso, investimentos em startups do segmento atingiram US$16.7 bi no quarto trimestre de 2018, tornando o valor total de aportes (aproximadamente US$ 26 bi) 94% maior em relação a 2017 (aproximadamente US$13.5 bi), segundo informações da Venture Scanner. Em 2019, até o fim do terceiro trimestre, o valor de investimentos registrado foi de US$15 bi. É difícil mensurar precisamente, no entanto, o montante investido especificamente em startups com foco em IIoT.

No Brasil, de acordo com um estudo realizado em 2017 pelo Liga Insights sobre Tecnologias Emergentes, existiam, naquele ano, 48 startups do segmento de IoT, que representavam 25% do total (193 startups de categorias consideradas tecnologias emergentes) mapeado. Uma das empresas mapeadas nesse levantamento foi a Dev, cujo modelo de negócio e soluções podem ser um indício de um interesse crescente do mercado tanto em Internet das Coisas de maneira geral, quanto especificamente em IIoT.

Atualmente, a Dev oferece duas principais categorias de serviço para o mercado. Uma delas, por meio da Dev Tecnologia, uma Design House focada em IoT, que atende empresas interessadas em desenvolver plataformas de Internet das Coisas para o próprio portfólio. Nessa modalidade, a startup oferece ao cliente um time de Pesquisa & Desenvolvimento especializado para o desenvolvimento do produto. Dentro dessa categoria, já realizou mais de 100 projetos e atendeu clientes da área de eletrônica, como Intelbras e Samsung.

De acordo com Silvia Takey, Diretora Executiva da startup, a Dev também conta com  a unidade DEVTec.io, que se posiciona para fornecer soluções de IoT, principalmente de localização e sensoriamento remoto, já prontas para o mercado.

“Atualmente, nós oferecemos uma tag bluetooth que, conectada a uma máquina, realiza monitoramento de produção e temperatura. A informação captada é encaminhada para um leitor e posteriormente é enviada para uma plataforma, que conta tanto com uma visualização direta de uma aplicação, como também pode ser conectada a outro software que a empresa utilize”, conta Takey. 

As soluções oferecidas pela Dev – apesar de contemplarem tanto hardware quanto software – são apenas algumas das possíveis aplicações decorrentes da utilização de sensorização e IloT. 

Aplicações de IoT Industrial

De acordo com a Hewlett Packard Enterprise (braço de soluções de software e produtos para empresas da HP), existem três principais exemplos de aplicação decorrentes de IIoT:

  • Produção – utilização do conceito para monitoramento e predição automática de possíveis problemas, o que resulta em maior produtividade, maior eficiência e menos paralisações no processo;
  • Cadeia de suprimentos – a partir de um inventário sensorizado, o IIoT pode automatizar encomendas de suprimentos antes mesmo que os estoques esvaziem, resultando em menos desperdícios e possibilitando que os funcionários realizem outras atividades e tarefas mais importantes;
  • Gerenciamento de instalações – a utilização do IIoT, nesse caso, pode conferir mais simplicidade e segurança, a partir do monitoramento de clima via sensores, por exemplo, e pela resposta rápida a potenciais ameaças, aumentando a segurança das instalações.

Outras aplicações como monitoramento de gasto de energia também são importantes, em busca de um sistema produtivo mais sustentável. 

Iniciativas para o crescimento

De forma que tais exemplos virem realidade amplamente no Brasil, iniciativas por parte do governo já têm sido criadas, com o objetivo de alavancar a Indústria 4.0 e tecnologias relacionadas no País. Em novembro de 2017, por exemplo, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), divulgou o “Relatório do plano de ação – Iniciativas e Projetos Mobilizadores”, um dos produtos integrantes de um estudo maior, entitulado “Internet das Coisas: um plano de ação para o Brasil”.

O principal objetivo do estudo foi propor um plano de ações estratégico para o Brasil sobre o conceito de IoT, e foi dividido em quatro etapas: diagnóstico, seleção de verticais e horizontais, aprofundamento e elaboração de um plano de ação (para o período entre 2018 e 2022) e suporte à implementação do planejamento. No documento, discorre-se sobre oportunidades no ambiente brasileiro, tal como as definições que guiariam as iniciativas relativas ao plano.

Outra iniciativa criada foi a Agenda Brasileira para a Indústria 4.0, lançada pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), tendo a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) como parceira. Conforme comunicado publicado no portal do MDIC, trata-se de um “conjunto de medidas para auxiliar o setor produtivo, em especial as pequenas e médias indústrias, em direção ao futuro da produção industrial.”

De acordo com um depoimento do presidente da ABDI presente no comunicado, “[…]o futuro da economia brasileira necessariamente passa por essa nova Revolução Industrial. A sociedade e todas as esferas do poder público também precisam estar preparadas para esse novo tempo. Precisamos de um esforço conjunto, que posicione o Brasil estrategicamente nesse contexto global.”

Segundo Luciano Cunha, coordenador-Geral de Tecnologias Inovadoras e Propriedade Intelectual do Ministério da Economia, o papel do órgão dentro do segmento industrial é trabalhar com políticas de incentivo, regulamentação de iniciativas e atuar em projetos específicos.

“Hoje nós contamos com projetos de fomento à inovação, como o InovAtiva Brasil, um programa de aceleração pública para startups, e o Brasil Mais Produtivo, para apoio e aumento de produtividade de PMEs. No projeto específico de Indústria 4.0, nós convocamos atores governamentais, empresas e associações para a discussão de possíveis ações e busca de sinergia, objetivando potencializar o resultado”, declara ele. 

Saiba o que os profissionais de grandes empresas e especialistas estão falando sobre o tema em entrevistas completas aqui

Em um cenário em que a digitalização é cada vez mais presente em diferentes mercados, torna-se difícil imaginar a indústria descolada dessa realidade. De maneira geral, tecnologias relacionadas a dados, analytics e inteligência artificial já se apresentam bastante relevantes em setores como o Varejo, Saúde, Imobiliário, Logístico, entre outros; contudo, sua adoção ainda é incipiente no segmento industrial. E, apesar de tal mercado ainda estar em um processo de iniciação, movimentações interessantes já começam a ocorrer, em uma área de vastas oportunidades.

Baixa digitalização da indústria

As oportunidades são enormes justamente por ser um segmento ainda pouco digital, cujos processos se mantêm tradicionais e manuais. De acordo com informações da CNI (Confederação Nacional da Indústria) publicadas no portal EXAME, apenas 1,6% das companhias do setor têm seus processos produtivos digitalizados; a estimativa é que esse número chegue a 21,8% nos próximos dez anos.

Além disso, apenas 22,2% das indústrias atribuem automatização à sua produção; na próxima década, a expectativa é de que esse número mais que dobre, um cenário em que 55% delas devem ter suas áreas de produção automatizadas. Ainda de acordo com a publicação, para as empresas que estão se iniciando na transformação digital industrial, recomenda-se a utilização de sensorização, big data e cloud computing como um primeiro passo, com o objetivo de entregar um panorama do que acontece no chão de fábrica.

Sensorização + IIoT

Dentro desse contexto, ganha importância, além da tecnologia de sensores, o IoT industrial (IIoT). Como uma subcategoria de Internet of Things, o IIoT se trata da conexão de máquinas e equipamentos físicos à Internet, de maneira que se capture dados de diferentes tipos relacionados à linha de produção fabril.

Tais dados, mediante análise realizada por plataformas de analytics e inteligência artificial, podem basear tomadas de decisão, que passam a ser mais objetivas e assertivas, conferindo mais produtividade e eficiência ao processo. 

Além dos benefícios conhecidos e esperados por meio da utilização de sensorização combinada a IoT, outro motivo que pode contribuir para o aumento de aplicação de sensores conectados na indústria é a acessibilidade de preços, que, ano a ano, têm registrado queda. Conforme um estudo realizado pela Microsoft, quinze anos atrás, em 2004, um sensor IoT custava, em média, US$1.30; em 2018, tal valor já havia chegado a US$0.44 e, para 2020, espera-se que chegue a US$0.38, preço aproximadamente 200% mais barato em comparação àquele registrado no início do milênio. 

De acordo com Sérgio Soares, Diretor do Instituto SENAI de Inovação para TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação), aliar a tecnologia propiciada por sensores ao conceito de Internet das Coisas é o pontapé de entrada para o mundo 4.0, representando, também, um modelo acessível, que visa a transformação. 

“Para empresas que ainda não estão preparadas ou precisam salvar o negócio, sensores IoT são o primeiro passo. São fundamentais como soluções de baixo custo e escaláveis. Em um nível básico da discussão, são tecnologias democráticas, que variam entre um estágio inicial, como a contagem de produtos, até algo mais sofisticado, como a comunicação entre máquinas, reconfiguração em tempo real de uma planta”, afirma Soares. 

Ganho de importância em âmbito mundial

Para 2019, as estimativas são de que os gastos em âmbito global com Internet das Coisas alcance US$745 bilhões, valor 15,4% superior ao registrado em 2018 (US$646 bilhões), segundo dados da IDC (International Data Corporation). Ainda, a previsão é de que o aumento de gastos se mantenha na casa dos dois dígitos anualmente até 2022, quando pode ultrapassar US$1 trilhão.

Imagem com dados sobre estimativas de gastos com IoT em âmbito global e segmentos que mais investem em IIoT

Dentro da indústria, os segmentos que mais devem investir em IoT são a da manufatura discreta (US$119 bilhões), manufatura de processos (US$78 bilhões), transportes (US$71 bilhões) e serviços (US$ 61 bilhões). Conforme análise da IDC, os gastos na indústria de manufatura serão bastante focados em soluções que suportem operações e gerenciamento de ativos de produção. 

O mercado de startups do segmento

O mercado de startups com soluções de IoT também tem registrado crescimento em anos recentes. De acordo com uma publicação da Forbes, mais de 26 mil startups estão adotando Internet das Coisas como sua principal tecnologia para alavancar novos produtos e serviços e também para suportar modelos de negócio baseados em plataforma – as informações são do Crunchbase. 

Além disso, investimentos em startups do segmento atingiram US$16.7 bi no quarto trimestre de 2018, tornando o valor total de aportes (aproximadamente US$ 26 bi) 94% maior em relação a 2017 (aproximadamente US$13.5 bi), segundo informações da Venture Scanner. Em 2019, até o fim do terceiro trimestre, o valor de investimentos registrado foi de US$15 bi. É difícil mensurar precisamente, no entanto, o montante investido especificamente em startups com foco em IIoT.

No Brasil, de acordo com um estudo realizado em 2017 pelo Liga Insights sobre Tecnologias Emergentes, existiam, naquele ano, 48 startups do segmento de IoT, que representavam 25% do total (193 startups de categorias consideradas tecnologias emergentes) mapeado. Uma das empresas mapeadas nesse levantamento foi a Dev, cujo modelo de negócio e soluções podem ser um indício de um interesse crescente do mercado tanto em Internet das Coisas de maneira geral, quanto especificamente em IIoT.

Atualmente, a Dev oferece duas principais categorias de serviço para o mercado. Uma delas, por meio da Dev Tecnologia, uma Design House focada em IoT, que atende empresas interessadas em desenvolver plataformas de Internet das Coisas para o próprio portfólio. Nessa modalidade, a startup oferece ao cliente um time de Pesquisa & Desenvolvimento especializado para o desenvolvimento do produto. Dentro dessa categoria, já realizou mais de 100 projetos e atendeu clientes da área de eletrônica, como Intelbras e Samsung.

De acordo com Silvia Takey, Diretora Executiva da startup, a Dev também conta com  a unidade DEVTec.io, que se posiciona para fornecer soluções de IoT, principalmente de localização e sensoriamento remoto, já prontas para o mercado.

“Atualmente, nós oferecemos uma tag bluetooth que, conectada a uma máquina, realiza monitoramento de produção e temperatura. A informação captada é encaminhada para um leitor e posteriormente é enviada para uma plataforma, que conta tanto com uma visualização direta de uma aplicação, como também pode ser conectada a outro software que a empresa utilize”, conta Takey. 

As soluções oferecidas pela Dev – apesar de contemplarem tanto hardware quanto software – são apenas algumas das possíveis aplicações decorrentes da utilização de sensorização e IloT. 

Aplicações de IoT Industrial

De acordo com a Hewlett Packard Enterprise (braço de soluções de software e produtos para empresas da HP), existem três principais exemplos de aplicação decorrentes de IIoT:

  • Produção – utilização do conceito para monitoramento e predição automática de possíveis problemas, o que resulta em maior produtividade, maior eficiência e menos paralisações no processo;
  • Cadeia de suprimentos – a partir de um inventário sensorizado, o IIoT pode automatizar encomendas de suprimentos antes mesmo que os estoques esvaziem, resultando em menos desperdícios e possibilitando que os funcionários realizem outras atividades e tarefas mais importantes;
  • Gerenciamento de instalações – a utilização do IIoT, nesse caso, pode conferir mais simplicidade e segurança, a partir do monitoramento de clima via sensores, por exemplo, e pela resposta rápida a potenciais ameaças, aumentando a segurança das instalações.

Outras aplicações como monitoramento de gasto de energia também são importantes, em busca de um sistema produtivo mais sustentável. 

Iniciativas para o crescimento

De forma que tais exemplos virem realidade amplamente no Brasil, iniciativas por parte do governo já têm sido criadas, com o objetivo de alavancar a Indústria 4.0 e tecnologias relacionadas no País. Em novembro de 2017, por exemplo, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), divulgou o “Relatório do plano de ação – Iniciativas e Projetos Mobilizadores”, um dos produtos integrantes de um estudo maior, entitulado “Internet das Coisas: um plano de ação para o Brasil”.

O principal objetivo do estudo foi propor um plano de ações estratégico para o Brasil sobre o conceito de IoT, e foi dividido em quatro etapas: diagnóstico, seleção de verticais e horizontais, aprofundamento e elaboração de um plano de ação (para o período entre 2018 e 2022) e suporte à implementação do planejamento. No documento, discorre-se sobre oportunidades no ambiente brasileiro, tal como as definições que guiariam as iniciativas relativas ao plano.

Outra iniciativa criada foi a Agenda Brasileira para a Indústria 4.0, lançada pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), tendo a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) como parceira. Conforme comunicado publicado no portal do MDIC, trata-se de um “conjunto de medidas para auxiliar o setor produtivo, em especial as pequenas e médias indústrias, em direção ao futuro da produção industrial.”

De acordo com um depoimento do presidente da ABDI presente no comunicado, “[…]o futuro da economia brasileira necessariamente passa por essa nova Revolução Industrial. A sociedade e todas as esferas do poder público também precisam estar preparadas para esse novo tempo. Precisamos de um esforço conjunto, que posicione o Brasil estrategicamente nesse contexto global.”

Segundo Luciano Cunha, coordenador-Geral de Tecnologias Inovadoras e Propriedade Intelectual do Ministério da Economia, o papel do órgão dentro do segmento industrial é trabalhar com políticas de incentivo, regulamentação de iniciativas e atuar em projetos específicos.

“Hoje nós contamos com projetos de fomento à inovação, como o InovAtiva Brasil, um programa de aceleração pública para startups, e o Brasil Mais Produtivo, para apoio e aumento de produtividade de PMEs. No projeto específico de Indústria 4.0, nós convocamos atores governamentais, empresas e associações para a discussão de possíveis ações e busca de sinergia, objetivando potencializar o resultado”, declara ele. 

Saiba o que os profissionais de grandes empresas e especialistas estão falando sobre o tema em entrevistas completas aqui

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