Ajustando o foco da inovação: realidade aumentada e virtual na indústria
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Ajustando o foco da inovação: realidade aumentada e virtual na indústria

Conheça as tendências em realidade aumentada e realidade virtual no contexto da indústria 4.0

Omercado de realidade virtual e realidade aumentada tem um potencial de aplicabilidade que abarca diversos segmentos da economia global e, possivelmente, esse é um dos motivadores centrais para as grandes expectativas de crescimento em torno dessas tecnologias, inclusive, na indústria.

Conceituando RA e RV

Apenas para efeito de conceituação, enquanto a realidade virtual, literalmente, cria um conteúdo 100% virtual que pode ser acessado, por exemplo, por capacetes ou óculos de imersão, a realidade aumentada projeta informações e conteúdo no mundo físico.

E de acordo com dados da Fortune Business Insights divulgados pela PR Newswire em 2019, as soluções de RA e RV podem alcançar um crescimento médio expressivo de 42,2% nos próximos anos, partindo de um valor de mercado de US$ 7,3 bilhões registrado em 2018 para cerca de US$ 120,5 bilhões em 2026

Segundo o relatório, o interesse de gigantes como o Facebook, Apple e Google no uso de soluções de RA e RV para a melhoria da experiência do usuário também pode alavancar suas tendências de crescimento. A consultoria destaca ainda as possibilidades de aplicação das tecnologias em segmentos tão distintos como educação, healthcare, indústria automotiva e manufatureira.

dados sobre o crescimento das soluções realidade virtual e aumentada na indústria e no mercado

Realidade Virtual e Aumentada na Indústria 4.0

Dentro deste contexto, é importante ressaltar que as tecnologias de realidade virtual e aumentada estão entre os pilares da digitalização e implementação da indústria 4.0. Uma ampla pesquisa global da Capgemini, por exemplo, aponta que a implementação de RA e RV, pode contribuir em diferentes frentes industriais, como o desenvolvimento do design de produtos sem a necessidade de prototipagem física, a colaboração remota, reparos e manutenções, além de vistorias técnicas virtuais. Não à toa, o report indica que, até 2021, RA e RV serão prioridades para 46% das organizações entrevistadas.

Pensando no ambiente industrial brasileiro, um artigo da TOTVS para o portal A Voz da Indústria analisou os cases e resultados de grandes empresas a partir da utilização de soluções de realidade virtual e aumentada

Foi o caso da White Martins, multinacional brasileira que atua com a produção de gases industriais e medicinais e que utiliza, desde 2017, uma solução de RV para realizar avaliações de segurança, obtendo redução de custos na casa de 70% com a tecnologia.

matéria destaca ainda o uso destas soluções em processos de prototipagem na indústria automotiva e treinamentos de colaboradores. O eixo dos treinamentos, vale frisar, foi o mais citado pelos entrevistados consultados para a construção deste estudo, para o uso das realidades virtual e aumentada dentro da realidade da indústria nacional.

A visão de especialistas

Para Wellington Moscon, CEO e cofundador da GoEPIK – startup paranaense fundada em 2017 que desenvolveu uma plataforma que permite às empresas testar e escalar as várias tecnologias que envolvem a Indústria 4.0 como a própria realidade aumentada, IoT, machine learning, workflows, reconhecimento de voz e outras 10 verticais tecnológicas – a capacidade de crescimento da adesão das soluções de RA e RV é significativo no mercado brasileiro. 

“As soluções de realidade aumentada e realidade virtual tem muita capacidade de crescimento na indústria e é, de fato, o que já vem acontecendo à medida que o custo de hardware cai gradativamente. A realidade aumentada tem um potencial enorme para, por exemplo, exibir informações durante a execução de cada processo industrial, acelerando o aprendizado, evitando erros de execução e aumentando a confiabilidade. Já a realidade virtual tem a capacidade de simular as mais diversas situações e medir se, dentre outras questões, um operador está apto a atuar em uma determinada linha de trabalho”, explica Moscon.

O cenário descrito abre, por sua vez, um leque de oportunidades para as startups do Brasil e do mundo que atuam com tais soluções. Um relatório da TechCrunch divulgado no segundo semestre de 2018, aliás, revela que o segmento de startups de realidade virtual e realidade aumentada atingiu um valor de mercado US$ 45 bilhões até o período do levantamento. Entretanto, um dos principais desafios deste segmento é a alta concentração das captações, uma vez que apenas 18 startups são responsáveis por cerca de metade dos investimentos levantados globalmente.

Pensar nos desafios que o mercado de startups de RA e RV pode encontrar no caminho de adesão destas soluções é um primeiro passo para que estes obstáculos possam ser superados e isso também vale, naturalmente, para as startups atuantes no segmento industrial.

Neste sentido, dados da GlobalWebIndex divulgados pela TechJury indicam, por exemplo, que o custo de hardware ainda é o maior entrave para uma maior difusão das soluções de realidade virtual e aumentada entre os usuários.

Por sua vez, um relatório da McKinsey aponta que, além dos desafios técnicos que envolvem desde a duração de baterias até o tamanho de dispositivos, um obstáculo importante para o crescimento das tecnologias da realidade virtual no mercado inclui a falta de profissionais com habilidades e conhecimentos para trabalhar com estas soluções.

O levantamento ressalta que, uma medida adotada pelas empresas nos Estados Unidos para superar este desafio tem sido a busca por profissionais freelancers com experiência em dispositivos de RV

O entrave da falta de conhecimento em novas tecnologias no meio industrial, como vimos em outros momentos deste estudo, deve ser encarado como uma prioridade a ser sanada pelos gestores que desejam efetivar um processo de digitalização maduro nas manufaturas do país. É o que observa Carlos Santos, External Communication Lead na ABB, uma das líderes globais no desenvolvimento de tecnologias digitais para a indústria.

“É preciso criar condições para quem está investindo e desenvolvendo esse ecossistema de tecnologia e inovação no Brasil. Investir em inovação e em educação é uma das principais formas de reverter o atual cenário brasileiro, até mesmo para aumentar o entendimento do que é digitalização. Neste sentido, é necessário um esforço conjunto de múltiplos players, como empresas, entidades setoriais, governo e escolas técnicas/universidades para formação de mão-de-obra especializada. Resolver algumas questões macroeconômicas importantes também faz parte desse processo, para que haja um cenário político mais claro e as empresas consigam voltar a investir com segurança.”

Os desafios para a adesão às novas tecnologias

Sobre estes desafios, vale apontar ainda que, segundo matéria do portal Mundo Digital, mais de 50% dos jovens brasileiros podem ficar fora do mercado devido a falta de qualificação em habilidades digitais. O artigo ressalta, no entanto, que este não é um problema exclusivo do Brasil e sua resolução tem motivado empresas como o Facebook, Oi Futuro e Cisco a criar programas de capacitação voltados para a juventude.

A partir do momento que estes desafios forem superados em larga escala no Brasil e no mundo, os benefícios advindos de tecnologias, como as soluções de RA e RV, poderão ser melhor absorvidos pelo ambiente industrial. E os ganhos são muitos. Segundo relatório de 2019 da Perkin Coie, por exemplo, eles envolvem, dentre outros: 

  • Acesso à informação em tempo real; 
  • Treinamento facilitado, inclusive para trabalhadores remotos; 
  • Aumento da criatividade no desenvolvimento e design de produtos; 
  • Possibilidade de trabalho colaborativo entre funcionários em localidades distintas; 
  • Captura de dados comportamentais de usuários.   

Para elucidar este cenário, um case interessante é o da Boeing com a empresa de tecnologia que desenvolve soluções vestíveis e de realidade aumentada, Upskill. A partir do uso de óculos inteligentes da Upskill, técnicos de eletrônica da Boeing a reduzir o tempo de produção nas aeronaves em 25%, cortando também as possibilidades de erro dentro de seus processos. 

A visão de grandes empresas

Atenta a este contexto, a ABB tem investido no desenvolvimento de pacotes de soluções de RA para o mercado.

“A tecnologia de realidade aumentada anuncia uma nova era para a manutenção em campo de qualquer produto ou solução da ABB, como instrumentação de medição e componentes do sistema de automação. Neste sentido, possuímos uma plataforma de realidade aumentada disponível para o Brasil, projetada para acelerar os tempos de resposta, estender o ciclo de vida dos ativos e auxiliar no desempenho da produção. O ABB Ability Remote Insights permite que um técnico de serviço de campo compartilhe sua visão de uma situação usando a câmera do dispositivo e receba orientação diretamente de um especialista por meio de anotações na tela, bate-papo e compartilhamento de documentos”, explica Carlos Santos.    

A superação de desafios relacionados à mão de obra especializada, questões técnicas e o custo de hardware – que já vem se barateando ao longo dos últimos anos – deve gerar ainda mais oportunidades, na indústria e em outros segmentos econômicos, para startups e empresas que trabalham com tecnologias de realidade virtual e realidade aumentada. Tal fator, por sua vez, pode contribuir para o fortalecimento da indústria 4.0 no ambiente de negócios nacional. 

A GoEPIK, por exemplo, já vem colhendo resultados positivos a partir de seu trabalho para a escalagem de novas tecnologias. Segundo Wellington Moscon, CEO e cofundador da startup, a empresa irá fechar 2019 com crescimento 3 vezes superior ao alcançado em 2018, conquistando clientes como Saint-Gobain, Eaton, Grupo Boticário, Braskem e Renault. Moscon explica, aliás, como a própria solução pode contribuir no processo de formação de colaboradores. 

“Um conceito que vem sendo globalmente divulgado e é fortemente trabalhado pela Plataforma GoEPIK é o “Learning in The Flow of Work” que, como o nome já diz, permite que colaboradores responsáveis por executar uma determinada tarefa ou processo recebam instruções durante a execução e até mesmo em tempo real. Os benefícios dessa abordagem são inúmeros e alguns deles incluem a confiabilidade dos dados, garantia de execução, eliminação da necessidade de treinamento prévio e, em indústrias com alto turnover, essa abordagem atua como capacitador e gestor do conhecimento da empresa”, conclui Moscon.

A 3M é outra grande empresa que tem observado com atenção o mercado de realidade aumentada e virtual. “Temos um projeto específico lidando com realidade aumentada.

Ainda em fase de implementação, o foco do projeto consiste em agilizar o tempo de resposta envolvendo várias pessoas do time em partes remotas para tomadas de decisões envolvendo um processo de manufatura”, explica Julio Targueta, gerente de produção da 3M no Brasil, acrescentando que a empresa iniciou sua aproximação com startups da indústria, para, dentre outras atividades, otimizar o controle de processos logísticos em manufaturas.

Uma das ações da 3M focada em realidade virtual foi a criação, por meio de parceria com a startup VRGlass – empresa que desenvolve dispositivos de RA e RV – de um aplicativo para visitas virtuais ao Centro Técnico para Clientes (CTC), sediado no município de Sumaré, interior de São Paulo e que permite a visualização em 360º de todo o espaço. 

Com negócios e diversas tecnologias em variadas indústrias, o Grupo 3M contabiliza mais de 55 mil produtos em seu portfólio e escritórios em mais de 60 países. Inserida no contexto da indústria 4.0, a empresa tem buscado implementar, em conjunto com soluções de RA/RV, outras novas tecnologias capazes de aumentar o processo de decisão dos gestores e os índices de produtividade.

“Na área de manufatura & supply chain, temos duas grandes vertentes quanto a indústria 4.0: a primeira envolve a automação de máquinas e processos, a partir do uso de tecnologias como sistemas de visão, robôs e instrumentações que acelerem o processo de tomada de decisão e aumentem a produtividade. A segunda vertente diz respeito a automação de dados – temos um departamento dedicado a este tópico atuando há 10 anos, no qual usamos conceitos de M.E.S. (sistemas de execução de manufaturas) para integrar desde o PLC das máquinas até o ERP da empresa, visando, através destes dados, suportar outras iniciativas como Lean Manufacturing de aumento de eficiência operacional”, conclui Targueta.

A adesão de grandes empresas às novas tecnologias que impulsionam a indústria 4.0 no Brasil e no mundo é mais um reflexo do potencial destas soluções para o ambiente manufatureiro global e, especificamente sobre a realidade virtual e aumentada, vale reforçar, por fim, um dado da Capgemini, o qual aponta que, para 82% das companhias que implementaram soluções de RA/RV, os benefícios cumprem ou mesmo superam as expectativas das organizações.

Saiba o que os profissionais de grandes empresas e especialistas estão falando sobre o tema em entrevistas completas aqui

VR Monkey

VRMonkey

A VRMonkey é uma startup brasileira de RA e RV que desenvolve soluções personalizadas com foco em engajamento. A empresa atua em diferentes segmentos, incluindo o de treinamento industrial, contando com clientes como Intel, Gerdau, Samsung e Chevrolet. 

Imersys

Imersys

A Imersys é uma startup de Curitiba que desenvolve conteúdo em realidade aumentada e virtual para estruturar treinamentos, simulações, visitas virtuais e programas educativos. A startup foi fundada em 2017 e conta com grandes clientes como Volvo, Itaipu Binacional e CIBiogas.

Virtual Spaces

VirtualSpaces

A VirtualSpaces utiliza a realidade virtual por meio de dispositivos mobile para permitir a visualização de ambientes, casas e prédios que ainda não foram construídos. A startup americana fundada em 2018, tem como foco a indústria imobiliária e de construção, e já recebeu aporte de US$ 50 mil.

Varjo

Varjo

O foco da Varjo, startup finlandesa fundada em 2016, é criar ambientes de realidade virtual imersiva para treinamentos, pesquisas e projetos criativos em diferentes cenários de complexidade. A startup atua em diversas indústria e já recebeu US$ 45,9 milhões em investimentos. 

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