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Inovação

3 insights de Seth Stephens-Davidowitz sobre dados e o impacto das mentiras nos negócios e na sociedade

Todo mundo mente? Uma visão sobre dados e os comportamentos

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Que as pessoas mentem, todo mundo sabe. Porém, os questionamentos que o cientista de dados e economista Seth Stephens-Davidowitz levanta no seu livro “Todo mundo mente” e em suas palestras giram em torno da ideia de que isso faz com que apenas possamos ver um personagem, um recorte ou uma projeção e não, de fato, a verdade sobre quem as pessoas são, quais são as suas dúvidas, medos, anseios e desejos.

Essa constatação não é exatamente inusitada, porém ganha novos contornos quando paramos para refletir sobre o uso de dados. Coletamos informações por meio de pesquisas e até do analytics de redes sociais, e as usamos para fazer análise de persona com o intuito de entender melhor o nosso público e, assim, desenhar serviços e produtos mais alinhados a esses perfis. Só que, se todo mundo mente, quão confiáveis são os dados recolhidos? Estamos apenas vislumbrando pessoas idealizadas? O quanto boa parte dos dados são, de certa forma, quase que ficcionais e o quanto são reais?

Boa parte dessas perguntas foram respondidas e aprofundadas na palestra de Stephens-Davidowitz, no Liga Open Innovation Summit, maior evento sobre inovação aberta do Brasil e que aconteceu entre os dias 14 e 16 de setembro, totalmente gratuito e online. Confira parte da entrevista exclusiva do LIGA INSIGHTS, braço de estudos de mercado da Liga Ventures, com o especialista:

LIGA INSIGHTS (LI): Sabemos que a maioria das pessoas mente nas redes sociais e nas pesquisas. Apesar disso, usamos esses dados para analisar o comportamento, desenvolver soluções e tomar decisões. Estamos criando inovação e conduzindo negócios com base em uma persona idealizada? Quais as consequências disso?

SETH STEPHENS-DAVIDOWITZ (SSD): Apresentamos nossas aspirações pessoais, aquilo que projetamos para nós mesmos, nas redes sociais. Isso pode ser útil para o desenvolvimento de produtos e serviços, pois, às vezes, as pessoas compram produtos com base nisso, nessas aspirações pessoais. No entanto, também é importante considerar que, às vezes, as pessoas precisam e desejam coisas que nunca admitiriam nas redes sociais ou mesmo em pesquisas anônimas. Ferramentas como o Google Trends, que mostra os termos mais populares nas buscas e gera gráficos sobre a pesquisa por esses termos ao longo de um período e de acordo com a região, podem ajudar a descobrir essas preferências por vezes embaraçosas.

LI: Apesar das buscas no Google mostrarem resultados mais fidedignos sobre as dúvidas e preferências das pessoas, também é importante considerar que existe um viés no resultado das buscas e que tais ferramentas podem ser usadas para espalhar desinformação. A responsabilidade dos buscadores na propagação de fake news tem sido mais intensamente discutida nos últimos tempos, porém ainda há muito a fazer. Na sua opinião, como as empresas de tecnologia poderiam atuar nesse sentido?

SSD: Esta é uma pergunta extremamente difícil. Se algoritmos puros são usados para determinar o que é apresentado nos resultados de pesquisa ou nos feeds das redes sociais, muitas histórias falsas chegam ao topo. Em um mundo infestado por um vírus mortal, não é bom ter esse número tão grande de pessoas consumindo “notícias” baseadas majoritariamente em teorias da conspiração sobre vacinas, o uso de máscaras e as tão comentadas mensagens do médico imunologista Anthony Fauci. Dito isso, fica a pergunta: quem determina o que é desinformação? Essa não é uma questão sempre tão simples de se responder.

LI: Se de um lado existe esse problema dos resultados enviesados das buscas e a brecha para disseminação de fake news, de outro existe uma espécie de papel social dessas ferramentas no sentido de levar informações para mais pessoas. Considerando o impacto social da tecnologia, como a coleta e a análise de dados podem ajudar governos e as organizações em políticas e empreendimentos?

SSD: Tanto o governo quanto as organizações sem fins lucrativos podem tirar proveito de novos conjuntos de dados para entender melhor os problemas da sociedade. Em meu livro, também escrevi sobre como as pessoas recorrem à ferramenta de busca do Google em situações extremamente difíceis e delicadas, como quando sofrem abuso ou estão considerando realizar um aborto. Obviamente, ter dados adicionais vindos das buscas sobre esses temas delicados seria útil para todos aqueles que desejam ajudar, seja governo seja organização.

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