Entrevistas | TITI

Entrevista com: Darlene Alvarez

Especialista em tecnologia e CTO no setor financeiro

Darlene Alvarez, especialista em tecnologia e CTO em uma grande corporação do setor financeiro, foi uma das profissionais entrevistadas para o estudo Liga Insights IT Startups, lançado em julho de 2018. Na entrevista, Alvarez comentou sobre a importância e responsabilidade dos CTOs e CIOs nas empresas, os grandes desafios e oportunidades inerentes à implantação de inovações nas corporações e sobre o papel das startups nesse cenário.

O estudo completo está disponível para download neste link

 

Darlene Alvarez é especialista em tecnologia e CTO no setor financeiro.

Confira a seguir a entrevista na íntegra:

Liga Insights (LI) - Como você vê os papéis de CTOs e CIOs nas organizações e suas responsabilidades no sentido de inovação das operações?

Darlene Alvarez (DA) - Creio que essa transformação será ainda mais radical nos próximos anos. Os papéis dos CTOs e CIOs ainda não estão consistentemente definidos. Eles estão em constante mudança e reorganização. Isso depende do tamanho, estratégia de negócios e de tecnologia, da cultura organizacional e apetite de risco das corporações. Esses papéis são os menos compreendidos dentre os chamados cargos C-Level.

Os CTOs são responsáveis por um grande leque de atividades, como modernização da infraestrutura tecnológica, operações, serviços e governança de TI e Inovação. Cada organização tem uma forma de estruturar os papéis tendo em vista os benefícios e a relevância da inovação na sua estrutura, em termos de risco de obsolescência. Fala-se, ainda, em CIO como Chief Operating Officer of IT, contribuindo cada vez mais com o sucesso do negócio. Com grande conhecimento dos processos internos e dados da empresa, tem propriedade para escalar o negócio no âmbito digital.

LI - Além de promover a inovação na corporação como um todo, como é promover inovações dentro de uma área como a de TI?

DA - Para mim, é um erro conceitual acreditar que a TI é responsável pela criação de inovações. A aplicabilidade das inovações tecnológicas ao negócio nem sempre vem de áreas de tecnologia, mas de áreas multidisciplinares. São áreas voltadas ao desenvolvimento de produtos, processos e serviços, o que envolve muitas expertises e conhecimentos, como marketing, design, áreas de relacionamento com clientes, engenharia.

As inovações de tecnologia, em geral, são em relação às próprias tecnologias propiciadoras de inovações nos negócios. Obviamente, sem a TI completamente envolvida do início ao fim do processo de inovação, é difícil inovar em transformação digital. Mas a inovação deve compor o DNA da empresa como um todo.

LI - Quais são as principais oportunidades e desafios que as corporações encaram quando se trata de inovação?

DA - O maior desafio cultural é que as corporações tendem a ser muito conservadoras. Com baixo apetite de risco para falhas, são mais burocráticas em sua governança. Têm uma carga de gestão operacional de TI alta e cara por conta de legados e processos históricos. Essas organizações lutaram durante anos para que a liderança tivesse controle desses processos, previsibilidade de resultados e estabilidade, o que gera uma inércia difícil de combater.

Assim, o CIO deve tentar trabalhar com modelos alternativos de geração de inovação, segundo os objetivos da corporação. Um caminho possível é fazer projetos pilotos utilizando novas tecnologias em conjunto com startups, ou consórcios voltados às tecnologias inovadoras e abrangendo grupos internos de tecnologia e negócios para esses projetos.

LI - O que você espera das startups que oferecem inovações para as corporações?

DA - As empresas tradicionais não operam como startups. É inegável o avanço em inovação apresentado por startups, embora, recentemente, seja possível encontrar na mídia algumas discussões sobre o uso de práticas não éticas ou não legais por startups, no seu afã de inovar, mudar a cultura e emplacar o negócio, aumentando exponencialmente o seu valor de mercado. Existem exemplos diversos e a escolha pela forma de transição mais adequada para a transformação estrutural de uma corporação envolve o posicionamento estratégico e apetite de risco e custo dela.

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