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Entrevista com: Fabio Tagnin

Diretor de Vendas de Internet das Coisas para América Latina na Intel

Fabio Tagnin, Diretor de Vendas de Internet das Coisas para América Latina na Intel, foi um dos profissionais entrevistados para o estudo Liga Insights Emerging Technologies, lançado em setembro de 2017. Durante a entrevista, Tagnin falou sobre os desafios para a implantação de inovações dentro das empresas, o relacionamento destas com tecnologias emergentes, inteligência artificial e cibersegurança. Além disso, também discorreu sobre como é possível tornar soluções tecnológicas em algo globalmente escalável.

O estudo completo está disponível para download neste link.

A Intel é uma gigante multinacional do setor de tecnologia.

Fabio Tagnin é Bacharel em Ciência da Computação pela USP e Mestre em Administração pela FGV. Construiu sua carreira passando por grandes empresas, como Editora Abril, UOL, e BOL. Na Intel desde 2005, é, atualmente, Diretor de Vendas de Internet das Coisas para América Latina.   

Confira a seguir a entrevista na íntegra:

Liga Insights (LI) - Com o conceito de inovação aberta, como as grandes corporações devem se relacionar com as tecnologias emergentes, que muitas vezes não serão desenvolvidas dentro de casa?

Fabio Tagnin (FT) - As grandes empresas precisam estar atentas ao desenvolvimento de novas tecnologias e processos fora de suas fronteiras. É necessário colaborar com universidades, centros de pesquisa e outras instituições para moldar e criar as soluções que vão resolver os problemas do presente e do futuro. A Intel investe mais de US$ 10 bilhões anualmente em pesquisa e desenvolvimento, tanto internamente, quanto em colaborações com a academia e o mercado. Isso diversifica os temas abordados e internaliza as demandas que provêm de usuários e empresas, com o objetivo de manter seus produtos e soluções sempre atualizados. Somos também um dos maiores contribuidores de código para sistemas abertos.

LI - O quanto as tecnologias emergentes impulsionam as áreas de P&D das corporações, de modo a atender demandas do futuro?

FT - É difícil acompanhar todas as invenções e inovações que aparecem diariamente em escala global. Por isso, essas parcerias com o mercado e academia tornam-se imprescindíveis para manter as linhas de pesquisa alinhadas e com potencial inovador. Muitas inovações têm surgido em pequenos grupos universitários ou em pequenas empresas. Esses talentos e habilidades não podem passar despercebidos. As grandes empresas precisam entender que, se não inovarem internamente e se não absorverem as inovações do ecossistema, correm sérios riscos de não estarem mais aqui em um futuro próximo para contar sua história.

LI - Como grandes players do mercado atual podem se beneficiar das tecnologias emergentes?

FT - Empresas grandes em geral têm necessidades grandes, têm processos de negócios, processos fabris, desenvolvimento de produtos e soluções. Mas também têm que gerir recursos humanos e finanças, seu posicionamento de marca no mercado. A transformação digital é inevitável e todos os setores serão impactados. A robótica está ajudando na indústria mas também na recuperação de pacientes.

A queda nos preços dos dispositivos eletrônicos, somada à crescente capacidade de processamento e baixo consumo energético faz com que a internet das coisas tenha um crescimento explosivo em áreas que vão desde os carros autônomos até sistemas de iluminação, grids elétricos e de água e esgoto inteligentes. Não há limites para o que essas tecnologias vão transformar no nosso futuro.

LI - Como trabalhar as barreiras comerciais entre os diversos países para que essas tecnologias sejam de fato transformadoras globais?

FT -  Há questões muito importantes nos planos regulatórios e econômicos dos países produtores e consumidores de tecnologia que precisam ainda ser endereçadas, para que haja uma livre circulação de hardware, software e serviços. O mais importante, no caso do Brasil, é produzir soluções que possam ser escaladas de maneira internacional, cunhadas na nossa intensa capacidade de desenvolvimento de aplicações e soluções inteligentes para problemas cotidianos. Isso já está amplamente provado e hoje temos médias e grandes empresas exportando suas soluções. Mas o potencial que temos aqui é muito maior do que aquilo que hoje, de fato, conseguimos atingir.

LI - Em relação à inteligência artificial, o que você enxerga como transformação disruptiva em curto, médio e longo prazo?

FT -  Estamos criando algoritmos cada vez mais inteligentes, capazes de aprender com a interação entre seres humanos e máquinas. O impacto do uso desses sistemas é enorme, por vezes até chegando a eliminar postos de trabalho focados em tarefas automáticas e repetitivas, mas hoje indo além e ajudando na análise de dados interconectados e formatação de mensagens. Vimos na mídia nos últimos meses notícias de robôs com inteligência artificial escrevendo notícias, dando pareceres jurídicos e até desenvolvendo linguagens próprias de comunicação.

A transformação será disruptiva em diversos segmentos. No curto prazo nessas áreas já citadas. Em médio prazo, na ampliação dos serviços de carros autônomos e sistemas de transporte inteligente, com controles logís- ticos de carga, e até na identificação de carga genética e tratamento de doenças. A longo prazo, o impacto é muito difícil de prever, mas não estaríamos longe da verdade se resga- tássemos cenas de filmes de ficção científica, contando com o autodesenvolvimento computacional, até a exploração do espaço.

LI - Em mundo cada vez mais conectado, qual o papel da cibersegurança nas políticas de captura e uso de dados públicos e privados?

FT -  Garantir a segurança das informações coletadas, processadas, transmitidas e armazenadas é primordial para o sucesso das novas aplicações tecnológicas. O desenvolvimento de métodos de proteção de dados está cada vez mais avançado, mas a criação de modelos de invasão os acompanha de forma paralela. Em particular, já há grupos de pesquisa elaborando maneiras de manter seguros os dados em sistemas de computação quântica, quando esses sistemas ainda estão em fase transformacional do papel ao silício – ou quaisquer que sejam os materiais que poderiam substituir a areia hoje usada na confecção de chips.

A manutenção da segurança de dados ainda é uma das principais barreiras na implantação de projetos de IoT, justamente pelo grau de complexidade e a capilaridade que esses dispositivos teriam na cadeia de valor dessas soluções. Por isso, a atenção à segurança deve ser um dos principais elementos de uma estratégia de IoT de qualquer empresa ou solução.

Saiba o que os profissionais de grandes empresas e especialistas estão falando sobre o tema em entrevistas completas aqui

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