Myriam Tschiptschin, Gerente da Unidade Smart Cities do CTE
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Myriam Tschiptschin, Gerente da Unidade Smart Cities do CTE

Leia entrevista com Myriam Tschiptschin sobre tendências de urbanismo para o futuro das cidades

Myriam Tschiptschin, Gerente da Unidade de Smart Cities e Infraestrutura Sustentável do Centro de Tecnologia de Edificações (CTE),  foi uma das entrevistadas para o estudo Liga Insights: Nova Mobilidade Urbana, com foco nas tecnologias e inovações no setor nas esferas pública e privada, lançado em dezembro de 2020. Durante a entrevista, ela falou sobre as tendências do urbanismo para cidades mais sustentáveis e novos hábitos de transporte.

O estudo completo está disponível para download neste link.

Myriam Tschiptschin é Arquiteta e Urbanista formada Universidade de São Paulo, especialista em Novas Tecnologias aplicadas à Arquitetura e mestra na área de Planejamento Urbano e Regional. Atualmente, Myriam também é coordenadora e professora do curso de Smart Cities do Istituto Europeo di Design (IED) e professora da Pós-graduação Lato Sensu de Sustentabilidade do Mackenzie.
Confira a seguir a entrevista na íntegra:

Liga Insights (LI) – Quais as tendências de urbanismo para as cidades daqui para frente?

Myriam Tschiptschin (MT) – O CTE está sendo muito procurado para atender projetos com áreas externas que possuem uma interface significativa com as cidades. Damos consultoria para implementar estratégias de sustentabilidade em projetos que estão buscando algum selo ambiental específico de escala urbana, como o LEED for Neighborhood Development. Outras certificações procuradas ultimamente são Sustainable Sites e outros dois selos concorrentes entre si, Well e Fitwel, que focam em saúde e bem-estar. Esses representam uma oportunidade, com foco principal em conforto, saúde e qualidade de vida, e estão conectados com o potencial da cidade para promover, por exemplo, a mobilidade ativa como forma de melhorar a saúde da população. Isso é uma tendência para o futuro das cidades.

LI – Como as cidades podem incentivar novos hábitos de transporte?

MT – As nossas cidades seguem um modelo rodoviarista de desenvolvimento urbanos, muito pautado no carro. Com isso, a gente tem espaços públicos pouco qualificados. A demanda por outro tipo de espaço é gerada quando mais pessoas andam a pé pela cidade. Então, projetos voltados para pessoas e não para carros são a principal forma de incentivar o pedestrianismo e os veículos da categoria ciclo. Para isso, é estratégico desenhar a cidade numa escala para o pedestre, com uso misto do solo, acesso a serviços básicos e conexões intermodais à curta distância. As calçadas qualificadas também tornam esses percursos mais atraentes. É válido lembrar que nem sempre precisa de obra. É possível ampliar o espaço para pedestres e ciclistas com estratégias do urbanismo tático, com o uso de cones e regulamentação de horários, por exemplo.

LI – Qual o impacto da nova mobilidade na organização das cidades?

MT – A nova economia colaborativa, a mobilidade como um serviço e o compartilhamento de veículos têm o potencial de remodelar as cidades. Ao pegar carona no carpool, ir de Uber ou alugar uma bicicleta, as pessoas reduzem a demanda por estacionamentos. Esse tipo de uso do espaço impacta negativamente a cidade, uma vez que um estacionamento ocupa uma grande área valorizada, que poderia ter externalidades urbanas positivas, mas está destinada para carros parados. Quando as pessoas entendem que só precisam ir e voltar, a gente vê uma redução de espaços voltados para o carro e isso melhora a qualidade ambiental urbana.

LI – Do ponto de vista tecnológico, como é possível desenvolver cidades sustentáveis e inteligentes?

MT – Para cada tema dentro das cidades sustentáveis, temos uma série de tecnologias como internet das coisas, inteligência artificial e big data, mas não quer dizer que isso é a resposta para as cidades se tornarem inteligentes. Estratégias low techs são muito importantes. Por exemplo, só 18% dos municípios fazem coleta seletiva no Brasil, e o percentual máximo de reciclagem é de 7% em Florianópolis. Então colocar sensores em lixeiras não é resolver o problema, nem significa tornar a cidade mais inteligente. 

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