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Entrevista com: Antônio Sá

Founding Partner na Amicci

Antônio Sá, Founding Partner na Amicci, foi um dos entrevistados para o estudo Liga Insights Retail Techs, lançado em dezembro de 2018. Durante a entrevista, ele falou sobre a situação do varejo físico brasileiro em relação ao cenário digital e à ascensão do comércio online. Além disso, comentou também sobre os desafios que envolvem o Varejo 4.0 e como as startups podem ajudar nos processos do setor. 

O estudo completo está disponível para download neste link.

A Amicci é um grupo especialista em criação, desenvolvimento e gestão de marcas próprias. Atuante no Varejo e na Indústria, está presente desde o planejamento até a execução de estratégias voltadas para vendas, rentabilidade e fidelização de consumidores. 

Antônio Sá passou por grandes empresas do Varejo como Walmart  e Grupo Pão de Açúcar. Professor na FGV, FIA, FAAP e Saint Paul, é palestrante e consultor na Sá & Associados - Consultoria e Treinamento. Desde 2015, é Founding Partner na Amicci.

Confira a seguir a entrevista na íntegra:

Liga Insights (LI) - Qual o papel do varejo físico diante o crescimento do comércio online?

Antônio Sá (AS) - O varejo físico continua tendo um papel muito importante, que é estar próximo do consumidor. Entretanto, precisa de uma integração imprescindível de canais. Como acontece em vários outros setores, a tecnologia está avançando no varejo e o papel dos colaboradores na loja vai mudar. O atendimento da loja deverá ser bem mais capacitado, agregar valor aos consumidores. Tudo o que é trabalho mecânico poderá ser substituído por tecnologia, e isso é possível aqui no Brasil. Há tecnologias para análise de banco de dados e de perfil de clientes, que dão inteligência para o varejo físico tomar decisões de sortimento, preço e promoções.

LI - Como você vê o cenário evolutivo do varejo físico brasileiro quanto a inovações?

AS - O Varejo evolui, mas a um passo um pouco mais lento do que outros setores evoluíram. Ainda vemos o Varejo utilizando de ferramentas que têm uma eficiência menor, que são antiquadas e usadas há décadas. Já encontramos, no entanto, a utilização de algumas ferramentas digitais mais elaboradas, procurando melhorar o relacionamento com os clientes, buscando informações deles para levar uma experiência mais customizada, conforme o perfil e interesse de cada um.

LI - Quão tecnológico é o varejo físico brasileiro, hoje?

AS - Há várias e boas iniciativas no Brasil. Temos o self-checkout e as etiquetas de radiofrequência (RFIDs), que começaram a ser utilizados há algum tempo. Entretanto, como tudo no país em relação à tecnologia, a velocidade de implementação está atrasada em relação a outros, como EUA, China, Inglaterra e Alemanha. Esses países possuem um comércio bem evoluído, com a aplicação de muita ciência nos pontos de venda. Estamos alguns passos atrás, é verdade, mas vejo um enorme interesse de empresários e executivos brasileiros em aprender e buscar o que há de melhor para o seu negócio aqui no Brasil.

LI - Quais são os grandes desafios para que o conceito de Varejo 4.0 seja uma realidade?

AS -  Em um primeiro momento, é a evolução da mentalidade dos varejistas que se faz necessária. Eles precisam entender a importância da tecnologia para facilitar a jornada de compra dos clientes. Antes de pensar em algo fora da curva, o Varejo ainda tem dificuldades em lidar com problemas básicos, que impactam na experiência de compra dos clientes, como por exemplo, ter um mix de produtos em conformidade com o que precisam. E certamente a tecnologia e o mundo digital ajudarão a resolver velhos problemas. Hoje, existem muitas ferramentas que fazem controle de inventário, reconhecimento da falta de um produto e identificação de preços de forma consistente. Quando falamos de desafios no varejo físico brasileiro, abordamos aspectos muito básicos, que ainda não são atendidos com excelência. As tecnologias estão chegando não apenas porque são modernas, mas sim para ajudar o Varejo a ter entregas mais consistentes no PDV.

LI - Como as startups podem ajudar?

AS -  Elas têm uma velocidade muito grande, o que o Varejo tradicional não tem. Para atuar no setor, precisam entender a realidade do setor e qual a mentalidade das empresas. Vemos corporações que têm uma mentalidade muito mais aberta e outras que ainda são muito transacionais, muito mais preocupadas com as negociações do presente. Há uma distância muito grande entre elas, que pode ser trabalhado com tecnologias desenvolvidas pelas startups. Assim, precisam não só diagnosticar os problemas do setor, mas também aprender a lidar com essas peculiaridades.

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